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ERA A VIZINHA PERFEITA… ATÉ DESCOBRIREM O QUE ELA FAZIA COM OS FILHOS DELES EM CERIMÔNIAS SECRETAS.

O resto

Então, gente, por volta das 23 horas, Efigênia finalmente apareceu ali. E, assim que Alaíde percebeu a chegada dela, foi perguntar sobre a filha e o neto. E Efigênia, de uma forma muito tranquila — porque ela era uma mulher muito tranquila —, negou que tinha visto Jennifer ou Leandro.

Mas, vendo o desespero da família, o que ela fez? Começou a acalmar todo mundo e foi ela mesma quem fez a primeira ligação para a polícia para pedir ajuda, informando que duas crianças tinham desaparecido. E foi com esse gesto de solidariedade que a madrugada de domingo começou. Só que ninguém ali tinha ideia do tamanho do que estava por vir.

Gente, agora, já na madrugada do dia 3 de maio, por volta da meia-noite e trinta, a Polícia Militar apareceu na casa da família e Alaíde contou tudo o que ela sabia. Só que enquanto tudo isso acontecia dentro da casa, tinha uma outra história correndo em paralelo. Um adolescente do bairro, que é amigo da família, já tinha ligado para uma jornalista chamada Cássia Bonfim horas antes pedindo ajuda.

Só que a Cássia não deu muita atenção. Esse adolescente, então, vendo a gravidade da situação, o que ele fez? No dia seguinte, ele insistiu. Ligou novamente para Cássia, dizendo que era sério, que duas crianças tinham desaparecido. E a Cássia ali resolveu averiguar, resolveu levar a mídia para esse caso. E, sentindo a gravidade realmente da situação agora, ela pediu que a família registrasse um novo boletim de ocorrência.

Foi exatamente isso o que foi feito. Fernanda, seguindo essas instruções da jornalista, no meio-dia foi à delegacia e registrou um novo boletim de ocorrência, agora mais focado no Leandro, descrevendo a roupinha que ele usava — um moletom azul com capuz, com uma mancha branca nos ombros — e todos os detalhes de que ela se lembrava. E Cássia, com a intenção realmente de fazer com que a polícia desse mais atenção — já que a verdade era que a polícia não estava dando muita atenção até ali —,

foi até a delegacia, tá bom?, e falou diretamente com a delegada que estava respondendo naquele momento. Por que, gente? A primeira informação que ela recebeu na delegacia é que, provavelmente, aquela menina tinha fugido com um “namoradinho”. Mas aí eu faço uma pergunta para vocês: quem é que foge com um namoradinho com um bebê no colo?

Não dá, né? Isso simplesmente não se encaixa. Mas a Cássia falou com a delegada Lía Valeste, que resolveu colocar mais atenção nessa investigação. E o domingo foi ficando assim, cada vez mais apreensivo. A imprensa também começou a dar mais atenção e, quando a imprensa entra, a gente sabe que as coisas começam a mudar.

A polícia começa a ver com mais cuidado aquilo. E aí, com toda a movimentação que começou a acontecer na área, com carros de polícia, carros da imprensa e a vizinhança toda empenhada em achar essas duas crianças, aquela vizinha tão prestativa começou a virar assunto. Boa parte do bairro já estava começando a desconfiar dela, porque ela tinha uma atenção muito grande com o bebê Leandro e também porque ela supostamente tinha sido a última a ver aquelas crianças.

Mas mesmo com tudo isso começando a acontecer, mesmo com todo aquele “burburinho”, né, Efigênia continuou ajudando nas buscas, como quem não tem nada a esconder. Até que perto das 23 horas daquela noite veio a primeira resposta. Era uma resposta boa, só que não foi a resposta exatamente que todo mundo esperava.

Felizmente o Leandro estava vivo. Só que assim, gente, a situação era um pouco estranha. Olhem só: ele foi encontrado do outro lado da cidade, num bairro chamado Tubalina, no jardim da frente de uma casa. Ele estava sem roupa nenhuma e a cabecinha do bebê estava raspada. Vocês se lembram, né?

Além disso, gente, ele estava com o corpinho todo tomado por um pó branco que parecia talco, mas não foi confirmado pela mídia se era talco ou se era outra coisa. A criança foi levada para o hospital, foi reconhecida pela família e depois, né, foi para a casa. Só que se, por um lado, existia ali um alívio da família por terem encontrado uma das crianças, por outro lado existia uma pergunta que não queria calar: onde estava Jennifer?

E, pelo menos para uma pessoa daquela família, a resposta provavelmente estava na casa ao lado. Foi assim que Fernanda, a irmã de Jennifer e mãe de Leandro, irada, foi até a casa de Efigênia e exigiu, sem rodeios, que ela provasse que tinha aquele filho — o filho que ela dizia ter, mas que ninguém nunca tinha visto, ninguém sabia se ele existia de verdade. E foi durante essa visita que Fernanda notou uma coisa estranha ali na casa.

Tinha um cômodo lá onde ninguém podia colocar os pés, mas, olhando de longe, do lado de fora, ela pôde perceber um berço e outras coisas de bebê ali. Tudo bem. A partir dali, isso pode ser a prova de que existe um bebê ou, talvez, de que existe a intenção de se ter um bebê. Só que Efigênia, gente, ficou estranhamente nervosa.

Ela não permitiu que Fernanda se aproximasse e, muito irada, pediu que Fernanda saísse da sua casa. E aí eu não preciso nem falar para vocês que isso só piorou a situação. A desconfiança da Fernanda, que já existia, foi lá nas alturas, e ela levou tudo para a polícia, agora tentando entender o que tinha acontecido com a Jennifer.

E aí, gente, na segunda-feira, dia 4 de maio, Efigênia teve mais uma atitude, no mínimo, estranha. E as atitudes estranhas dessa mulher são muitas, digo logo, tá? Ela ligou para a polícia de dentro de casa, dizendo que estava com medo de sofrer ataque dos vizinhos, já que ela já sabia que tinha gente ali que estava desconfiando dela, e por isso, justamente, ela estava pedindo proteção.

Uma equipe da Polícia Militar, então, foi até a casa dela e, já que estavam ali, os policiais aproveitaram a brecha que ela mesma deu e deram uma olhadinha na casa. E essa foi a primeira e única vez que alguma coisa foi feita naquela casa, uma busca que, na verdade, não chegou a ser uma busca, mas nada foi encontrado.

Ou seja, gente, estava todo mundo desconfiando dela, mas a polícia não teve a iniciativa — nem a Justiça, obviamente — de checar essa mulher um pouquinho mais de perto. Mas voltando, segundo o depoimento dos próprios policiais, eles não encontraram absolutamente nada ali que a incriminasse. Mas eu já aviso desde já para vocês: esse foi um erro terrível da polícia.

E, depois que a polícia fez essa rápida vistoria, ela conduziu Efigênia numa viatura para fora do bairro, porque ela achava que a vida dela estava em perigo. Mas só que Efigênia não ficaria longe dali por muito tempo, não. E quando ela voltasse, aí sim é que as coisas iam começar a ficar mais claras. Porque olhem só: na terça-feira, Efigênia voltou para a sua casa bem cedo.

Foi aí que Aparício, o pai de Jennifer, que estava do lado de fora, avistou um táxi parado bem na frente da residência dela. Ela saiu de casa acompanhada do filho mais velho e os dois levavam tanta bagagem, gente, que aquilo parecia estranho. Parecia que eles estavam fugindo. Eram várias mochilas, sacolas, mas tinha uma bagagem em específico que chamava atenção.

Era um grande saco azul, tá bom?, que nitidamente era muito pesado. E aí, percebendo que as pessoas poderiam achar estranho aquilo, ela virou para Aparício e falou que era um saco de roupa suja. E depois ainda teve a coragem de dizer para ele cuidar da casa dela enquanto ela estivesse fora. Depois disso, ela entrou no táxi junto com o filho e eles foram embora.

O taxista que fez essa primeira corrida — porque eu aviso para vocês que essa é a primeira, vai acontecer uma outra corrida muito decisiva —, para esse taxista Efigênia disse que eles estavam indo para a rodoviária pegar um ônibus para Araguari. Mas, durante o trajeto, o taxista percebeu que ela estava visivelmente muito nervosa, estava apressada, estava tensa.

E sabe quando parece que a pessoa está fugindo de alguma coisa, que fez alguma coisa errada? Pois é, esse homem teve esse feeling tão certeiro de perceber que tinha alguma coisa errada ali. Para vocês terem noção, depois da corrida, depois de ele ter deixado eles na rodoviária, sabe o que ele fez, gente? Foi até a delegacia fazer um boletim de ocorrência e dizer que aquela mulher precisava ser investigada.

E foi graças a esse homem que os policiais resolveram checar. Eles foram para lá também, procuraram por ela em todos os lugares, não a acharam e aí eles foram checar as câmeras de segurança. Olhando as câmeras de segurança, eles perceberam que ela não pegou ônibus nenhum e que, na verdade, ela pegou um outro táxi.

E aí, com a placa desse novo carro, não foi difícil para a polícia localizar o motorista. E, assim que localizado, ele confirmou tudo. Era uma mulher com as mesmas características, acompanhada de um adolescente e de várias sacolas. Ele contou que ela disse que estava levando roupas para doação, só que, logo que entrou no carro, de repente ela parou e disse:

“Ai, a sacola rasgou, para aqui que eu vou descartar no lixo”. Ela está levando roupa para doação e resolve descartar no lixo uma sacola porque rasgou. Eu não sei, gente. Eu só sei que foi assim. O motorista atendeu ao pedido dela, estacionou, ela saiu com a sacola com muita dificuldade para carregar, jogou a sacola no lixo e depois ela voltou para o carro. Eles seguiram e ele a deixou numa parte central da cidade.

Munidos com essa informação, graças ao taxista, a polícia foi até a caçamba onde o lixo foi descartado. E, quando eles abriram o saco, encontraram partes de um corpo em estado avançado de decomposição, que estava também carbonizado, sem os braços e sem as pernas. Só estavam a cabeça e o tronco, gente. As características batiam de cara com as da Jennifer e a família logo foi chamada, né, para fazer o reconhecimento.

Quem foi até lá foi o Aparício, o pai da Jennifer. E, mesmo naquela situação, ele conseguiu ver que era a filha dele. Mas aí eu questiono a vocês: a polícia deu uma vistoriada ali naquela casa e não viu esse saco lá dentro. Essa vistoria deve ter sido realmente muito superficial. Mas, enfim, depois que a notícia se espalhou pelo bairro, a revolta tomou conta da família e de toda a vizinhança.

Foi tanta indignação, gente, que parte ali da população tentou inclusive invadir a casa de Efigênia. A polícia precisou ser chamada de novo, e dessa vez para conter o ataque e proteger também uma possível cena de crime, né? E teve um detalhe crucial que eu preciso contar para vocês. Para fechar a identificação de Efigênia, eles perceberam que a mulher que andava naquele vídeo, que a gente sabe que câmera de segurança às vezes é um pouco duvidosa, essa mulher mancava.

E o que acontece? Efigênia tinha feito uma cirurgia na perna meses antes, então ela andava mancando. E foi esse o detalhe que confirmou, sem sombra de dúvidas, que ela era aquela mulher na gravação carregando o saco com o corpo de Jennifer. E agora, com o corpo achado e a suspeita confirmada, a polícia pediu um mandado de prisão contra ela.

E é agora que as coisas vão ficar bem emboladas. Enquanto a polícia procurava por Efigênia na madrugada do dia 6 de maio, mais uma vez aconteceu algo inesperado. Olhem só, a própria Efigênia entrou em contato com a polícia e combinou de se encontrar com eles num cruzamento da cidade, no bairro do Tibery. Chegando lá, ela estava sozinha.

Ela disse aos policiais que tinha deixado o filho num hotel com a instrução de que, caso ela não voltasse, ele deveria fugir. Mas ela mesma revelou onde o garoto estava e ele foi preso logo em seguida também. Já na delegacia, gente, deram um depoimento que durou 11 horas. É isso mesmo: o mais complexo depoimento que eu já acompanhei na minha vida.

Eu aviso desde já para vocês, mas a gente vai destrinchar isso aos poucos. Eu vou deixar isso mais para o final da história, porque senão eu vou me embananar toda. Mas para vocês terem noção, as versões que ela dava realmente não tinham pé nem cabeça, tá bom? Mas mesmo confessando que tinha descartado o corpo da Jennifer — até porque não tinha nem como ela negar, já que eles tinham imagens dela fazendo isso —, ela o tempo todo negava veementemente qualquer participação no crime.

Segundo ela, em sua primeira versão, cerca de 11 a 10 dias antes de tudo acontecer, uma pessoa entra na história: o sogro dela, um homem chamado Luizmar Balbino. E é aqui, gente, que eu preciso lembrar uma coisa para vocês. Esse homem foi o mesmo que cedeu a casa para a família da Jennifer. E aí a gente começa a se perguntar: teria sido esse crime premeditado durante todo esse tempo?

Mas bora continuar; depois vocês tirem as conclusões de vocês. A Efigênia disse que ele a teria procurado para dizer que ia precisar usar a casa dela num trabalho espiritual em nome do filho dele, o Luiz Antônio, que era o marido da Efigênia que estava preso. E o local ideal para esse ritual, segundo Luizmar, era a casa onde ele morava, que era o lugar que tinha a presença mais forte dele. E, segundo ela, esse pedido não causou nenhuma estranheza, porque a família do marido já tinha o costume de fazer esse tipo de ritual, inclusive com sacrifício.

Só que, gente, não fica claro na mídia se é sacrifício humano ou não, mas ela fala alguma coisa depois que deixa entender, tá bom? Ela disse que nunca se opôs a esse tipo de ritual na casa dela, nada disso, porque ela temia por ela e pelos filhos dela. Então, ainda segundo ela, pouco antes disso acontecer, antes daquele final de semana, na verdade, uma mulher chamada Ariana, que era concunhada dela (casada com o cunhado dela), também entrou em contato com ela para falar que alguma coisa forte ia acontecer ali naquela rua. E, naquela mesma noite, Luís Antônio, marido dela, teria ligado do presídio confirmando isso. E aí, ela já sabendo que algo muito maligno ia acontecer ali naquele final de semana, Efigênia disse que encontrou a Jennifer com Leandro na porta da casa dela e, numa tentativa de proteger a menina e o menino, ela pediu que a Jennifer fosse para casa calçar os chinelos e entrasse.

Só que a garota teria dito para ela que não iria porque já tinha feito muito trabalho doméstico e não queria fazer mais. Se ela voltasse para casa, a mãe ia pedir para ela fazer mais coisas. Então, depois disso, a Efigênia lançou essa: que ela ia ao mercado comprar lenços umedecidos para o Leandro, que nem filho dela era. E foi aí que ela disse que a Jennifer virou para ela e falou: “Já que você vai comprar lenços para o Leandro, leva ele com você”. E foi assim, gente, segundo a versão dela, que ela pegou o Leandro e foi embora. Mas aí, já com o bebê no colo, enquanto ela esperava o ônibus, de repente ela foi abordada por um homem que ela conhecia, que se chamava Zé Babão, que mandou ela entrar no carro. E eles foram até a casa de um homem chamado Benedito, no bairro de Morada Nova.

E lá, segundo ela, foi o próprio Zé Babão quem raspou a cabeça do Leandro com gilete e trocou as roupinhas dele para disfarçar a identidade. Eles estavam sequestrando a criança. Eu vou seguir, sabe por quê? Porque senão eu vou deixar vocês doidos e lá no final eu vou mostrar umas coisas assim para vocês que vocês vão dizer: “É isso aí mesmo.” Bora lá, gente. Depois, ela levou o bebê para a casa da cunhada dela, uma mulher chamada Ailda, que era filha do Luizmar, o sogro dela, que ia fazer aquele ritual na casa dela. Lá, segundo Efigênia, em depoimento, ela pediu segredo da existência do bebê ali, sem dar explicação nenhuma. Ela disse até que ele era um sobrinho dela. Depois, ela dispensou o Zé Babão e voltou para casa, onde encontrou a família da Jennifer em desespero.

E foi aí que ela passou a ajudar nas buscas e chamou a polícia. Então, segundo ela, achando que o ritual ainda ia acontecer ali, ela decidiu se manter de propósito longe de casa, naqueles momentos, para que todos vissem que ela não tinha nada a ver com aquele ritual. Foi aí que vocês lembram que ela saiu de lá, levou os filhos para outro local e depois voltou, que foi quando o Aparício avisou que o bebê Leandro tinha sido encontrado.

E foi nesse mesmo momento, quando ela voltou para a sua casa, que ela percebeu que uma parte da terra do quintal estava mexida. Então, ao filho dela mais velho, que sempre andava com ela, ela pediu que ele fosse lá e colocasse telhas em cima, porque provavelmente aquilo ali tinha sido “o trabalho que eles iriam fazer” e ela queria cobrir aquilo. E, pelo menos aparentemente, funcionou, já que a polícia foi lá e não viu nada. E foi nesse momento, gente, no outro dia, que ela pediu, né, para os policiais a acompanharem para fora de casa. E enquanto ela estava fora, ela disse que recebeu uma ligação do tal Zé Babão avisando que ela precisava “resolver um probleminha em casa”. E quando ela voltou para casa, foi aí que ela se deparou com aquele saco azul grande largado bem no meio da sala, ao lado de uma mesinha. E mesmo curiosa, ela resolveu não conferir o conteúdo. Que tal? Pois é. E foi a partir daí que ela fez aquele trajeto que a gente já sabe, né? Ela pegou um táxi, descartou o corpo, mas sabe o que ela diz? Que em momento nenhum abriu aquele saco.

Ela descartou aquele saco sem saber o que era. Quem é que acredita nisso? Enfim, eu só posso falar para vocês que foi assim que ela fechou a versão dela, dizendo desde o início que ela tinha sido forçada a participar daquele crime indiretamente e que em momento nenhum participou do ritual, nem sabia o que tinha dentro daquele saco. Só que o depoimento dessa mulher, gente, tem tantos buracos que eu tive que reescrever esse roteiro várias vezes para deixar o mais claro possível para vocês.

Eu fiz várias versões e essa foi a versão que para mim pareceu a mais simples para vocês compreenderem, porque se eu trouxesse a versão como deveria ser, a mente de vocês ia explodir. Mas lá no fim da história eu vou mostrar para vocês os absurdos desse caso. Eu sei que vocês devem estar se perguntando como é que o Leandro foi parar ali naquele jardim, né? Quem contou essa versão, na verdade, quem deu a luz para a polícia de como isso aconteceu, foi a Ailda, a cunhada dela, com quem ela teria deixado o Leandro lá.

Ela disse que, enfim, pegou a criança para cuidar, mas não sabia quem era essa criança. Foi quando ela viu as reportagens na TV — porque a mídia estava em cima — e percebeu que aquele era o tal “sobrinho” da Efigênia e que, na verdade, aquela era a criança sequestrada que a polícia estava procurando. E segundo Ailda, pouco antes disso ela recebeu uma ligação da própria Efigênia implorando para ela mentir e de jeito nenhum mostrar a criança. E daí tudo bate, né? Mas a questão, gente, é que anos depois Ailda vai mudar a história dela. E enquanto Efigênia ainda estava naquelas 11 horas de depoimento, o filho dela adolescente que estava foragido foi preso e resolveu falar para a polícia onde estavam os braços da Jennifer.

E esse é o ponto que mais pesa nessa história para mim. Porque, gente, ele indicou exatamente o local onde a polícia iria encontrar. Esse local era no Parque Sabiá. E assim, para que o bueiro fosse aberto, onde os membros, os braços, tinham sido jogados, foi necessária a força de quatro homens. E aí eu pergunto para vocês: como é que pode uma mulher que mal consegue andar, de 1,50 m, levantar um bueiro que precisou de quatro homens? Ou, mas se ela tivesse tido a ajuda do filho dela, a conta não bate, né? Então é aí que eu digo para vocês que essa história é muito sinistra. As coisas simplesmente não batem.

Quando você pensa que foi só uma pessoa, vêm provas de que não foi. E ao mesmo tempo vai vir um julgamento que vocês vão ver que realmente não faz sentido nenhum. Mas bora lá. As outras partes da Jennifer foram encontradas no lixão da cidade e foram encontradas separadas em quatro partes — no caso, as pernas divididas entre o joelho e o fêmur.

E o que é mais importante, gente, a perícia concluiu depois que aquilo tinha sido feito por alguém que tinha conhecimento anatômico e também tinha força física, o que não é o caso da Efigênia e também não de um menino de 15 anos de idade. Mas bora falar sobre o que a Fernanda, mãe do Leandro, diz agora. Porque eu falei para vocês que é complexo. Vamos lá. Segundo a Fernanda, essa história de ritual não fazia sentido nenhum na visão dela.

Para ela, a Efigênia queria, na verdade, o bebê Leandro, que para ela era necessário para apresentar o bebê para o marido que estava preso. E essa não é a primeira vez que a gente vê isso, né? Então, para a Fernanda, aquilo não fazia sentido nenhum. E, na verdade, aquele quarto já estava preparado para receber o Leandro. Mas eu me pergunto, gente: como assim? Ela estava preparada para receber um bebê se a família dele estaria desesperada na casa ao lado? Eles não perceberiam que era ele? Não tem lógica. Essa história é cheia de buracos sem lógica. Mas bora para o julgamento.

Até aqui a gente contou a história basicamente da Efigênia, né? Porque foi ela que ficou na mídia, foi o depoimento dela que vazou. Então a gente focou muito nisso porque é a informação que a gente tem. Mas não foi só ela que foi julgada por esse caso. Mais pessoas foram julgadas por esse caso. E o julgamento inclusive não começou por ela. Para vocês terem noção, depois de toda a investigação, o Ministério Público fechou a denúncia oficial contra quatro pessoas: a Efigênia, o Luizmar (que é o sogro dela), a Ariana (a concunhada) e o filho dela adolescente. Segundo a promotoria, eles teriam se juntado para realizar aquele ritual de magia, contando com a ajuda de membros de uma seita — pessoas que nunca foram identificadas, mas que, segundo a denúncia, estariam ali no mesmo bairro.

Mas a verdade é que a polícia não chegou a nenhum outro nome que não fosse dessas pessoas. Por isso eles não foram nem nomeados no processo. E aí, gente, segundo a denúncia do Ministério Público, tudo aconteceu pelo seguinte motivo: eles pegaram a Jennifer e o Leandro e o Leandro serviria como um catalisador, digamos assim, de todos os males que circundavam o Luís Antônio, que estava preso, né? Pois todos os males que estavam na vida dele se transfeririam para o corpo do bebê e a Jennifer seria como “oferenda”. É isso mesmo. E é

justamente isso que justifica o fato do Leandro ter continuado vivo e a Jennifer, não. E segundo o Ministério Público, a cabeça raspada e o pó branco que foi encontrado no bebê faziam parte da “simbologia” para o Ministério Público. Então, o crime foi qualificado por motivo torpe, sem nenhuma justificativa moral, já que a vida de Jennifer teria sido ceifada por “satanismo”. E também teve a agravante da impossibilidade de defesa. Foi essa versão que virou processo. E assim, gente, o primeiro a sentar no banco dos réus não foi Efigênia, foi Luizmar, o sogro dela. Esse julgamento aconteceu separado dos outros, a pedido da própria defesa dele, em agosto de 2011. É aqui que eu preciso realmente ser sincera com vocês, porque, como eu falei antes, esse foi para mim um caso muito complexo, com muitos buracos, mas muito mesmo, que não dá nem para a gente destrinchar aqui, não.

Mas eu vou tentar elencar alguns buracos aqui para vocês, tá bom? Segundo as fontes, no julgamento de Luizmar, a acusação apresentou uma única testemunha, que era o PM que tinha participado da prisão de Efigênia. Já a defesa ouviu cinco testemunhas, dentre elas dois amigos de Luizmar, vizinhos da chácara dele, que ficava numa estrada a 30 km da cidade. E foi com base nesse julgamento que o advogado dele soltou um argumento que faz a gente no mínimo pensar, gente: se ele quisesse esconder um corpo, tinha uma chácara de 70 hectares para fazer isso. Por que então ele usaria um local ali onde estava todo mundo procurando essa criança, né? E agora eu vou revelar para vocês uma pergunta que está na minha cabeça há muito tempo.

Em que momento, gente, aconteceu esse ritual ali naquela casa? Que precisava ser lá porque era a casa do preso? Porque, gente, parem para pensar: desde quando a Jennifer e o Leandro sumiram no sábado, aquela área ficou totalmente tomada por vizinhos, por pessoas procurando por eles. Depois veio a polícia, depois veio a imprensa. Em que momento eles tiveram espaço para fazer esse ritual? Porque assim, eles eram vizinhos de muro com muro. Como é que se faria isso sem que ninguém percebesse? Não tem lógica. Eu não consigo entender lógica nessa denúncia do Ministério Público. Infelizmente, eu preciso ser realista com vocês. Eu não li a denúncia por completo e eu acredito que o Ministério Público deve ter seus próprios motivos, mas pelo que eu li na mídia, essa história não tem lógica nenhuma. Mas bora continuar.

Vocês lembram do Benedito? Pois é. Ele também foi ouvido como testemunha nesse julgamento. E segundo o depoimento dele foi a própria Efigênia quem ligou para ele no sábado pedindo para que ele fosse buscá-la. Ou seja, não existia o tal do Zé Babão que praticamente a sequestrou, que mandou raspar a cabeça do bebê. Nada disso. Sem falar de que, eu não sei se vocês perceberam, mas ela diz que praticamente ela foi sequestrada por esse Zé Babão e, do nada, depois de algum tempo, ela diz para ele ir embora. Como assim? Que sequestro é esse em que você manda o sequestrador ir embora? Esse homem também disse que ela mesma pediu o aparelho de barbear para ele para poder raspar a cabecinha do Leandro. E ele também confirma que foi ele quem levou ela com Leandro até a casa de Ailda. Ou seja, não existe Zé Babão. Até porque o Zé Babão até hoje não foi localizado, não foi nem identificado. E aí vocês lembram que eu falei que Ailda mudaria o depoimento dela no julgamento? Pois é. Ela disse que a Efigênia chegou com o bebê lá naquela noite junto com o Benedito, reforçando o que o Benedito tinha falado e não o tal do Zé Babão que obrigou a Efigênia.

E foi justamente com esses depoimentos e a falta de indícios que o Benedito, que ia ser processado, acabou não sendo processado. Ele foi preso por um tempo, mas no dia 11 de maio ele foi liberado porque a investigação não conseguiu achar nada contra ele. Outra parte do depoimento da Ailda que também muda completamente no julgamento é que ela diz, gente, que não foi ela quem deixou o bebê lá naquele jardim. Ela disse que a Efigênia voltou lá, pegou o bebê, que ela não ficou nem um dia com o bebê. Ela pegou o bebê e depois Ailda não sabia o que tinha acontecido com o bebê. Ou seja, provavelmente foi a própria Efigênia quem deixou o Leandro lá naquele jardim. Outro ponto que a promotoria reforçou para a tese de ritual é que foram achados na casa da Efigênia alguns objetos que levavam a pensar isso, como fitas de várias cores, farinha de milho e outros objetos.

Mas isso não provava nada que tinha acontecido um ritual naquele final de semana, até porque, como eu falei antes, como aconteceria um ritual naquele final de semana? Agora sim, a promotoria também tinha pontos relevantes que são importantes de a gente observar: a perícia constatou que os cortes que foram feitos na Jennifer exigiam boa condição física e também noção de anatomia, o que não era o caso de Efigênia, o que mostra que, no mínimo, ela teve a ajuda de alguém e não dá para pensar que foi o filho dela, um garoto de 15 anos de idade. Já a defesa do Luizmar contra-atacou dizendo que sequer a polícia tinha um relatório que o mencionasse e do nada ele foi denunciado e julgado. Também foi provado pela defesa que sim, a Efigênia fazia parte de uma seita (o Vale do Amanhecer), mas que o que tinha ali não tinha nada a ver com essa seita, tá bom? Eram coisas totalmente diferentes.

Mas tem um ponto que realmente eu não posso deixar de falar. Aquela tampa do bueiro onde realmente os braços da Jennifer foram jogados precisava de muita força para ser movida. Tanto que precisaram de quatro homens e a Efigênia não conseguiria fazer isso. Isso prova sim que ela não fez sozinha. Agora, provar quem fez realmente o Ministério Público não conseguiu. Eu só preciso dizer para vocês que eu sou advogada, então muita gente vai dizer: “Ah, está dando opinião.” Eu estou falando de coisas técnicas que eu conheço. E a página também é isso, não é só contar histórias. Às vezes eu conto a história só por contar a história todinha, a linha do tempo, mas esse caso é que ele merece ser desmembrado. Mas bora seguir. Mesmo com todas as faltas de provas, o julgamento foi totalmente circunstancial, porque não existiam de fato provas que mostrassem que aquele ritual realmente tinha acontecido. E o que se sabe é que o histórico do Luizmar não é um histórico de um homem correto e que ele tinha sido condenado antes por outro homicídio.

Mas cada crime é um crime, gente. E a gente não pode misturar as coisas. E eu quero deixar claro aqui para vocês que eu não estou defendendo ninguém, tá bom? Mas quando a gente pega um caso desse, a gente fica tão curiosa e começa a ver umas coisas tão absurdas que não tem como não dividir isso com vocês. Então eu preciso dizer para vocês que, mesmo sem provas consistentes, Luizmar foi condenado. Talvez o Ministério Público tenha mais provas que não foram mostradas à mídia. Provavelmente sim. Eu espero que sim. Mas o que eu estou falando aqui para vocês é no que eu tenho, no que foi exposto para a mídia. E foi baseado em tudo isso que eu falei para vocês que ele foi condenado a 26 anos de prisão, 3 meses e 10 dias pelo homicídio da Jennifer, sequestro e cárcere privado (da Jennifer) e também do bebê. Só que mesmo com a condenação de Luizmar, faltava julgar Efigênia e Ariana, a concunhada dela. E esse julgamento demorou, tá, gente? Porque teve manobra da defesa. Assim, ele estava marcado para abril de 2015, só que no dia a Efigênia chegou ao fórum de cadeira de rodas e ali mesmo ela pediu que o advogado que a representava deixasse o caso. Isso aí é uma tática de defesa.

A sessão foi suspensa e aquilo gerou uma revolta da família, o que é mais do que natural. A família estava sofrendo há um bom tempo. O julgamento acabou sendo remarcado para novembro daquele mesmo ano, 6 anos depois do crime. E foi nesse julgamento que surgiu uma testemunha que trouxe um dos relatos mais pesados desse caso. Um homem chamado Wesley Cleiton Costa, que tinha ficado internado junto com a Efigênia em uma enfermaria do presídio. Ele contou que ela ali dentro confessou para ele ter asfixiado a Jennifer e depois cortado o pescoço dela. E o sangue, segundo ele, foi descartado em um córrego. Mas ela não deu mais detalhes do que de fato aconteceu, principalmente de quem teve a técnica para poder fazer esse desmembramento, né, e também mover aquela tampa.

Mas segundo esse homem, o motivo para fazer isso com a Jennifer era para se livrar dela, para poder ficar com o Leandro numa tentativa desesperada de salvar o casamento. Aí eu digo: a mulher está solta, o cara está preso e a mulher está desesperada para salvar o casamento. Melhorem, meninas, bora melhorar. Seguindo, eu não preciso nem falar para vocês que esse relato sim bate com a teoria que a Fernanda, mãe do Leandro, lançou, mas o Ministério Público não acatou. Mas enfim, mesmo com tudo isso pesando contra Efigênia, ela manteve a mesma linha de defesa durante todo o julgamento, colocando tudo nas costas de Luizmar; ela era a “vítima”. Efigênia acabou sendo condenada, assim como o sogro, a 27 anos de prisão por homicídio qualificado, ocultação de cadáver e tudo mais.

Já Ariana, ela foi absolvida por não haver provas suficientes contra ela. E o que aconteceu com os outros dois, né? Como eu falei para vocês, o Zé Babão nunca foi identificado e provavelmente faz parte só da imaginação da Efigênia. E o filho dela também foi liberado, afinal era menor de idade na época (ele já estava maior de idade nessa época do julgamento). E esse caso foi dado como resolvido pela justiça com duas pessoas sendo condenadas. E aí, diante de tudo que eu explanei aqui para vocês (as contradições, os fatos, as versões), eu quero saber nos comentários o que vocês acham sobre o que foi falado aqui nesta história e no que vocês acreditam.

Eu acho que já deixei bem claro para vocês que eu não acredito na versão do Ministério Público. Eu não sei se o Luizmar é inocente. Eu só sei que o que foi apresentado na mídia é realmente muito vago. Eu fico por aqui. Eu espero que a Jennifer esteja num lugar muito melhor do que esse, porque esse lugar que a gente vive aqui não é fácil.

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Disclaimer: This story is fictional and created for entertainment purposes only. Any names, characters, places, or events are fictitious or used fictitiously. No real person or organization is intended to be portrayed.

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