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ACHEI QUE ERA BRINCADEIRA QUANDO MINHA AVÓ DISSE QUE RETORNARIA… ATÉ ELA CUMPRIR CADA PALAVRA!

O resto

Um dia eu não vou mais estar aqui, mas, quando eu partir desse mundo, você vai lembrar das minhas palavras.” Eu sentei na cama e fiquei olhando para a porta. Então ela continuou: “Quando eu morrer, se você continuar querendo dormir até tarde, eu vou voltar. Vou puxar seus pés e vou te acordar do mesmo jeito que faço hoje.”

Naquele momento, eu achei aquilo uma brincadeira de adulto para assustar criança. Eu comecei a rir. “Joana, isso não existe. Morto não volta. Quem morreu fica morto”. Do outro lado da porta, ela ficou em silêncio novamente. Depois respondeu: “Você fala isso porque ainda é pequena e não entende certas coisas da vida”. Eu não liguei.

Para mim era só uma história para me fazer levantar da cama. Mas, naquele mesmo dia, enquanto tomávamos café na cozinha do sítio, Joana contou uma coisa que fez minha curiosidade aumentar. Ela disse que algumas vezes, durante a madrugada, quando acordava de repente, tinha a impressão de ver o pai dela parado ao lado da cama.

Segundo ela, era sempre a mesma cena. Ela abria os olhos no escuro e via aquela figura parada em silêncio, olhando para ela. “Eu sei que parece estranho, Roberta, mas às vezes a gente sente a presença de quem já foi embora.” Eu olhei para ela sem entender. Na minha cabeça, aquilo parecia impossível.

Eu era criança, e criança acredita no que vê, mas também duvida daquilo que não consegue explicar. Então respondi: “Joana, isso deve ser sonho. Quando a gente acorda no meio da noite, a cabeça engana a gente”. Ela apenas sorriu — um sorriso pequeno, como se soubesse de alguma coisa que eu ainda não sabia. Naquele momento, eu não dei importância.

Eu não imaginava que, anos depois, eu lembraria daquela conversa muitas vezes, principalmente da frase que ela sempre repetia: “Você vai ver que nem tudo termina quando a pessoa morre”. O tempo passou e a vida no sítio continuou seguindo aquele ritmo tranquilo do interior da Bahia. Eu fui crescendo, deixando de ser aquela menina que reclamava todas as manhãs quando Joana abria a janela do quarto e mandava eu levantar.

Mas, mesmo com o passar dos anos, aquela rotina continuava igual. Joana envelhecia, mas parecia que sua força nunca acabava. Ela ainda acordava cedo, cuidava das plantas, alimentava os animais, preparava o café e andava pelo sítio como se tivesse a mesma disposição de quando era jovem. Só que a idade chega para todos.

Quando eu completei 13 anos, comecei a perceber que alguma coisa tinha mudado. Minha tia-avó Joana, aquela mulher que parecia nunca se cansar, já não era mais a mesma. Ela começou a ficar mais quieta, passava mais tempo sentada na varanda olhando o movimento do sítio e, algumas vezes, parecia estar perdida em seus próprios pensamentos.

Eu me lembro de uma manhã em especial. O sol ainda estava aparecendo por trás das árvores quando encontrei Joana sentada em sua cadeira de madeira, segurando uma xícara de café que já estava fria. Aquilo me chamou a atenção, porque ela sempre dizia que “café frio era coisa de gente sem disposição”. “Joana, a senhora está bem?” Ela olhou para mim e deu um sorriso, mas era um sorriso diferente, um sorriso cansado.

“Estou sim, minha filha. Só estou sentindo que o tempo está passando rápido demais.” Naquele momento, eu não entendi muito bem o que ela queria dizer. Para mim, Joana sempre estaria ali. Mas, poucos meses depois, a saúde dela começou a piorar. Primeiro vieram as dores no corpo; depois, a fraqueza. Ela já não conseguia cuidar do sítio como antes e precisava de que minha mãe e minha avó ajudassem nas tarefas que antes ela fazia sozinha.

A casa, que sempre teve o som dos passos firmes dela pelo corredor, começou a ficar mais silenciosa. Eu confesso que, naquela época, ainda carregava aquela lembrança de criança. Eu ainda achava engraçado quando ela dizia que voltaria depois de morrer para puxar meus pés. Mas, vendo-a deitada, frágil, já sem aquela força de antes, comecei a perceber que aquelas palavras talvez fossem apenas o jeito dela de demonstrar o quanto se importava comigo.

Os meses foram passando e a doença foi deixando Joana cada vez mais debilitada. Minha família fez tudo o que podia. Levamos ela para receber cuidados médicos, rezamos, ficamos ao lado dela, até que chegou o dia que eu nunca vou esquecer. Joana partiu aos 93 anos. Naquele momento, parecia que o sítio inteiro tinha parado.

O lugar que sempre acordava cedo com a voz dela ficou em silêncio. Não tinha mais a porta abrindo pela manhã. Durante o velório, eu fiquei perto dela, segurando minhas lágrimas. Eu lembrava das broncas, das manhãs em que eu queria continuar dormindo, das vezes que eu dizia que ela exagerava… E, naquele momento, eu daria qualquer coisa para ouvir aquela voz novamente.

Mas eu ainda não sabia que aquela promessa que ela tinha feito muitos anos antes, quando eu era apenas uma criança, ainda não tinha terminado. Depois que Joana partiu, os dias no sítio ficaram diferentes. Aquela casa, que antes parecia sempre cheia de vida, agora carregava um silêncio estranho. Eu ainda estava tentando me acostumar com a ausência dela.

Às vezes, sem perceber, eu esperava ouvir os passos dela pelo corredor, ou aquela voz firme chamando meu nome pela manhã, mas não vinha nada. Era apenas o barulho do vento passando pelas árvores, o canto dos pássaros e o silêncio da madrugada. Alguns dias depois do enterro, aconteceu uma coisa que eu nunca consegui esquecer.

Eu me lembro como se fosse hoje. Era uma madrugada tranquila. Eu estava dormindo profundamente quando, de repente, exatamente às 5 horas da manhã, acordei com um barulho. Toc, toc, toc. Eram batidas na porta do meu quarto. No começo, eu fiquei parada na cama, tentando entender se aquilo estava realmente acontecendo ou se eu ainda estava sonhando.

Meu coração começou a bater mais forte. Fiquei alguns segundos olhando para a porta, esperando que alguém falasse meu nome, mas ninguém falou nada. Então, criei coragem, levantei devagar e fui até a porta. Minha mão tremia enquanto segurava a maçaneta. Eu abri, olhei para o corredor, olhei para a sala, olhei para todos os cantos da casa, mas não tinha ninguém.

O sítio inteiro estava em silêncio. Naquele momento, eu tentei encontrar uma explicação. Pensei que talvez fosse o vento batendo na madeira velha da casa. Talvez algum animal tivesse passado perto da porta. Ou talvez eu ainda estivesse meio dormindo e tivesse imaginado aquilo. Voltei para a cama tentando esquecer. Puxei o cobertor, fechei os olhos e tentei dormir novamente.

Mas, assim que comecei a pegar no sono, aconteceu algo que fez meu corpo inteiro gelar. Eu senti um puxão. Primeiro achei que era impressão minha, mas então senti novamente. O lençol se mexeu, como se alguém o estivesse segurando e puxando devagar para tirá-lo de cima de mim. Naquele instante eu acordei, completamente assustada.

Sentei na cama rapidamente, com o coração disparado. Olhei para todos os lados. Meu quarto estava vazio. Não tinha ninguém ali. A porta continuava fechada. A janela estava no mesmo lugar. Tudo parecia normal, mas eu sabia o que tinha sentido. Eu fiquei sentada na cama por vários minutos, sem coragem de voltar a dormir.

Quando o dia amanheceu, eu contei para minha mãe. Ela tentou me acalmar e disse que talvez eu tivesse tido um pesadelo, mas aquilo ficou preso na minha cabeça. Passei o dia inteiro pensando naquela batida na porta, naquele puxão no lençol. Tentava achar uma explicação lógica para tudo aquilo. Até que no meio da tarde, enquanto eu estava sentada na varanda do sítio, olhando para o terreiro, uma lembrança veio forte à minha mente.

Uma lembrança na qual eu não pensava havia muitos anos. A voz da minha tia-avó Joana, parada do outro lado da porta do meu quarto, quando eu ainda era criança. Ela dizendo: “Quando eu morrer, eu vou voltar. Vou puxar suas pernas e vou te acordar”. Naquele momento, senti um arrepio percorrer meu corpo, porque, pela primeira vez, aquela promessa — que eu achava ser apenas uma brincadeira de uma senhora brava — começou a parecer muito diferente.

E uma pergunta começou a passar pela minha cabeça. Será que Joana realmente tinha voltado? Depois daquela manhã, eu tentei convencer a mim mesma de que tudo não passava de uma coincidência. Eu queria acreditar que aquelas batidas na porta tinham sido apenas o vento. Queria acreditar que aquele puxão no lençol tinha sido apenas um movimento meu durante o sono.

Mas nos dias seguintes comecei a perceber que aquilo não tinha sido um caso isolado. As coisas começaram a acontecer novamente e, cada vez mais, pareciam estar relacionadas com a promessa que Joana tinha feito anos antes. Todas as madrugadas, exatamente às 5 horas da manhã, eu acordava de alguma forma. Às vezes, era com a sensação de que alguém segurava meus pés e puxava devagar.

Eu acordava assustada, sentava na cama rapidamente e ficava olhando para o quarto escuro, tentando enxergar alguma coisa, mas não havia ninguém. Em outras noites, eu acordava ouvindo aquela voz que eu conhecia tão bem, a voz firme da minha tia-avó: “Roberta, levanta, menina! Eu já falei que Deus ajuda quem cedo madruga”. Quando eu ouvia aquilo, meu corpo inteiro ficava arrepiado, porque não era uma voz qualquer; era exatamente o jeito que Joana falava comigo quando estava viva.

Eu conseguia imaginar o rosto dela, o jeito sério de olhar e aquela expressão de quem não aceitava desculpas. Com o passar dos dias, coisas ainda mais estranhas começaram a acontecer. Em algumas madrugadas, eu acordava com a janela do quarto aberta, e isso me assustava porque eu tinha certeza de que a havia fechado antes de dormir.

O vento frio entrava no quarto, mexia a cortina e espalhava aquele cheiro de terra molhada que vinha do quintal do sítio. Outras vezes, eu sentia o colchão afundar ao meu lado, como se alguém tivesse sentado na cama. Eu ficava completamente imóvel, segurando a respiração, sem coragem de olhar para o lado.

Eu queria chamar meus pais, queria gritar, mas o medo parecia prender minha voz. No começo, quando eu contava o que estava acontecendo, meus pais tentavam me tranquilizar. Minha mãe passava a mão no meu cabelo e dizia: “Roberta, minha filha, você está assustada por causa da morte da Joana. Talvez sua cabeça esteja misturando as lembranças”.

Meu pai também tentava encontrar uma explicação. “Às vezes, quando a gente perde alguém que ama, o coração sente falta e a nossa mente cria coisas que parecem reais”. Eu ouvia aquilo, mas no fundo eu sabia o que eu estava sentindo. Não era apenas saudade, era algo diferente; era medo.

Mesmo assim, eu comecei a pensar que talvez eles tivessem razão. Talvez eu estivesse imaginando tudo. Até que, numa manhã, aconteceu algo que mudou a forma como meus pais enxergavam aquela situação. Eu acordei chorando e fui até minha mãe. Contei novamente que tinha sentido alguém puxando meus pés durante a madrugada. Ela tentou me acalmar, mas, quando olhou para o meu tornozelo, ficou em silêncio.

Na minha pele havia marcas. Marcas avermelhadas, como se dedos tivessem segurado meu pé com força. Minha mãe ficou olhando aquilo sem saber o que dizer. Meu pai também ficou sério quando viu. Naquele momento, pela primeira vez, eles perceberam que talvez aquilo não fosse apenas imaginação de uma menina assustada.

E foi aí que o medo que antes estava somente dentro de mim começou a tomar conta de toda a casa. Porque agora eles também começaram a se perguntar: será que Joana realmente tinha voltado para cumprir a promessa que fez quando ainda estava viva? Depois daquele dia, meus pais já não conseguiam mais fingir que aquilo era apenas coisa da minha cabeça.

Eles me viam acordar assustada todas as madrugadas. Viam o medo nos meus olhos. Viram as marcas no meu tornozelo e, principalmente, perceberam que eu não estava inventando aquilo. Minha mãe, preocupada, conversou com algumas pessoas da região e decidiu me levar até um senhor conhecido como “seu” Antônio, um médium que morava em uma pequena casa em uma comunidade próxima ao nosso sítio.

Eu lembro daquele caminho como se fosse hoje. A estrada de terra parecia mais longa do que o normal. Eu ia sentada no banco de trás do carro, olhando pela janela e pensando se realmente encontraria alguma resposta para tudo aquilo. Quando chegamos, “seu” Antônio nos recebeu com muita calma. Ele olhou para mim por alguns segundos. Depois olhou para a minha mãe e perguntou: “É a menina que está sendo acordada todas as madrugadas?”

Minha mãe ficou surpresa. Ela ainda nem tinha contado todos os detalhes. Então, começou a explicar tudo o que estava acontecendo. Depois de ouvir atentamente, ele fechou os olhos por alguns instantes e disse algo de que eu nunca esqueci: “A sua tia-avó não está querendo fazer mal a você. Ela apenas está cumprindo uma promessa que fez enquanto estava viva”.

Naquele momento, senti um arrepio, porque era exatamente aquilo que eu vinha pensando desde o primeiro dia: a promessa. Aquela promessa que eu achei engraçada quando era criança, aquela promessa que eu nunca imaginei que pudesse se tornar realidade. “Seu” Antônio explicou que precisávamos fazer um momento de oração e pedir para Joana entender que eu já tinha aprendido a lição.

A orientação foi simples, mas deveria ser feita com respeito. Durante três noites, antes de dormir, eu deveria acender uma vela branca, colocar um copo com água ao lado da cama e fazer uma oração pedindo paz para a alma da minha tia-avó. Também deveria falar em voz alta: “Joana, eu sei que a senhora queria me ensinar.

Eu aprendi. Eu não preciso mais que a senhora venha me acordar. Pode descansar em paz. Me perdoa pelas vezes que eu fui teimosa”. Naquela primeira noite, eu confesso que estava com muito medo. Deixei a vela acesa, fiz a oração e fiquei deitada esperando alguma coisa acontecer. O vento passou pela janela.

A madeira da casa estalou algumas vezes, mas nada aconteceu. Na segunda noite, eu ainda acordei algumas vezes assustada, esperando ouvir a voz dela, mas foi apenas o silêncio. Na terceira noite, pela primeira vez em muito tempo, eu dormi a noite inteira. Não senti puxões. Não ouvi minha tia-avó. Não senti medo.

Era como se o peso que estava dentro de mim finalmente tivesse desaparecido. Depois daquele dia, Joana nunca mais apareceu. Os anos passaram. Eu cresci, saí do sítio, construí minha família e segui minha vida. Mas uma coisa ficou comigo: o ensinamento dela. Quando me tornei mãe, percebi uma coisa que me deixou até emocionada.

Eu fazia exatamente o que ela fazia comigo. Todos os dias, às 5 horas da manhã, eu acordava meus filhos. Eu abria a janela do quarto, deixava a luz entrar e dizia: “Vamos levantar. O dia já começou. Deus ajuda quem cedo madruga”. Às vezes meus filhos reclamavam, assim como eu reclamava quando era pequena. E nessas horas eu lembrava da minha tia-avó Joana.

Hoje eu entendo que por trás daquela rigidez existia amor. Ela queria ensinar disciplina, queria preparar a família para a vida. E até hoje, quando acordo cedo ou quando lembro daquela voz firme dizendo para eu levantar da cama, sinto um arrepio, porque uma coisa eu aprendi. Algumas pessoas deixam marcas na nossa vida que nem o tempo consegue apagar.

E a minha tia-avó Joana deixou uma dessas marcas em mim. E essa foi a minha história, uma história que eu carreguei comigo por toda a vida. Durante muitos anos, eu tentei entender o que aconteceu naquela época. Se foi apenas uma lembrança criada pelo medo de uma criança, se foi uma saudade tão forte que tomou forma, ou se realmente existe algo que nós não conseguimos explicar.

Mas de uma coisa eu tenho certeza: minha tia-avó Joana deixou uma mensagem para mim. Ela me ensinou que algumas palavras ditas em vida podem permanecer para sempre no coração de alguém. Hoje, quando lembro daquela época, eu não sinto mais medo. Eu sinto carinho, porque entendi que, por trás daquela mulher rígida que me acordava todos os dias, existia uma pessoa que queria me ensinar valores, responsabilidade e respeito.

Agradeço de coração a todos vocês que ficaram comigo até aqui e leram essa história até o final. Se você acredita que pode existir vida após a morte, escreva nos comentários. Que Deus abençoe cada um de vocês. Que Deus ilumine o caminho de vocês, proteja suas famílias, leve paz para dentro de suas casas e que nunca falte amor, saúde e esperança na vida de cada pessoa que está lendo essa história.

Muito obrigado por terem ficado comigo. Siga a página e que todos vocês fiquem com Deus.

Disclaimer: This story is fictional and created for entertainment purposes only. Any names, characters, places, or events are fictitious or used fictitiously. No real person or organization is intended to be portrayed.

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