PASTORA DE GOIÁS E SEU PARCEIRO SECRETO DERAM FIM AO PRÓPRIO MARIDO?
O resto
Com medo, ela decide sair de casa, levando os filhos. Durante alguns meses, essas crianças permanecem, então, com essa mãe. O marido continuava tendo contato com esses filhos, só que chega em determinado momento que ele consegue convencer esses filhos a irem morar com ele. Ainda conforme ela conta, este homem fica com a guarda dos filhos e depois, quando ela tenta recuperar essa guarda, ela já não consegue mais.
Por quê? Porque, a essa altura, os filhos já estavam com mais de 12 anos e escolheram ficar com o pai. Mas, para ela, aquilo era resultado de uma alienação parental. Até sobre essa história aí tem uma outra versão. Por quê? Porque o primeiro marido de Sueli contesta tudo o que essa mulher diz.
Em suas declarações, ele afirma que Sueli mentia para os filhos dizendo que era agredida e, inclusive, pedia para o filho dela mais velho mentir que ela era agredida. A situação desses filhos era bem difícil e triste, principalmente quando a verdade vem à tona. E essa verdade só vem à tona na audiência relacionada à separação. Foi nesse episódio que esses filhos percebem a contradição contada pela mãe e aí eles manifestam a vontade de permanecer com o pai.
E é por isso que eles seguem sendo criados pelo pai. E Sueli segue sua vida sozinha, tendo pouco contato com os próprios filhos. Ela vivia ainda no Distrito Federal, mantendo a sua participação ativa nas atividades religiosas. E foi nesse período que o José aparece na vida dela, quando o caminho dos dois se cruza naquele restaurante, durante o momento em que ela estava trabalhando.
Só que, diferente dela, José era casado. Este homem se interessa imediatamente por ela, passa a conversar com Sueli e, a partir disso, os dois mantêm contato com frequência. Não demora para que José deixe tudo para trás e vá viver com Sueli. Convicto de que havia feito uma boa escolha em sua vida, ele apresenta Sueli, a nova companheira, a toda a sua família.
Afinal, acreditava que estava ao lado de uma mulher que vivia os ensinamentos de Deus. Mas o que ocorreu com seus familiares foi o contrário da boa impressão que José tinha dela. Eles não gostaram daquela mulher logo que a viram. Segundo eles, Sueli apresentava um comportamento bem contraditório. Ao mesmo tempo em que ela falava de Deus e de ensinamentos cristãos, ela demonstrava muita agressividade na hora de falar.
Houve episódios em que Sueli maltratou José na frente de todo o mundo, sem medir as palavras. E depois ela justificava aquelas atitudes dizendo que estava agindo de acordo com a orientação de Deus. Já o próprio José, por ser um homem de muita fé, conforme a família relata, acreditava na companheira. Então ele entendia que ela dizia o que dizia para ele porque era Deus dando a ela aquela orientação.
Então, ele não reagia àquelas humilhações. E, na percepção ainda dos familiares, a religiosidade influenciava, e muito, a maneira como ele conduzia esse relacionamento. Vanessa, uma das irmãs dele, diz que chegou a dizer para ele: “Olha, mas essa mulher aí é muito estranha, hein? Ela é muito agressiva”. Ele ouvia, mas não fazia nada.
Continuava com ela, completamente apaixonado. Com o passar do tempo, outros comportamentos de Sueli começaram a incomodar a família. Durante as visitas, os parentes percebiam que não tinha mais como conversar com o José em particular, porque Sueli permanecia do lado dele e evitava que ele tivesse aquela proximidade que até então ele tinha com as irmãs, por exemplo.
Aos poucos, essa situação foi provocando um distanciamento entre José e seus familiares. O contato dele com as filhas, que era muito próximo, acaba diminuindo um pouco. Um episódio lembrado pela Vanessa acontece ainda no casamento dela. Para vocês terem uma ideia, José tinha prometido que ia dar o bolo da festa.
Aí chega o dia do casamento. Ele vai à festa do casamento, entrega o bolo, bate a foto e vai embora. E, para Vanessa, aquela atitude chama muito a atenção porque ele jamais faria isso; ele teria ficado no casamento, né? Até que em determinado momento o relacionamento começa a atravessar dificuldades e as discussões se tornam frequentes. Os dois acabam se separando e encerrando aquela relação.
A partir daí, cada um seguiu a sua vida. Sueli rapidamente inicia um outro relacionamento, porque ela teve o primeiro marido, o José, e agora este homem. Esse terceiro companheiro vivia com ela também no Distrito Federal. Já o José vai morar com uma das irmãs na cidade de Ceilândia. E, nessa região, ele conhece uma mulher chamada Lucy, com quem começa a se relacionar.
E, pouco tempo depois, os dois passam a viver juntos, dividindo a rotina e as responsabilidades da casa. Mas, naquela época, José estava com algumas dívidas, e, por isso, todo o dinheiro que ele recebia como motorista e os rendimentos de serviços à parte — uns bicos, uns extras —, ele direcionava totalmente para pagar as contas que estava devendo.
Enquanto isso, Lúcia, a companheira dele, muito esforçada, com o dinheiro dela, cobria as despesas da casa, o que contribuiu muito para que essas dívidas fossem quitadas rapidamente. José reconhecia o esforço dessa companheira, mas, apesar de estar vivendo com ela, segundo os familiares, ele ainda nutria sentimento por Sueli. Com o passar do tempo, a vida foi melhorando, ele foi se estabilizando, conseguiu conquistar, por exemplo, uma moto que ele queria muito.
Depois, eles compram um Fiat Uno, trocam esse Uno por um carro ainda melhor. E tudo isso eles fizeram, gente, em cerca de dois anos de relacionamento. Observava-se a melhora de vida do José, não só financeira, como também no meio familiar. Por quê? Porque ele volta a se aproximar da família e parecia estar muito contente, brincalhão como ele sempre foi, porque ele era muito divertido.
Junto com a esposa, com as filhas, com toda a família, eles realizavam viagens, passeios, e tudo isso era fotografado e publicado nas redes sociais. Mas, enquanto José seguia sua vida muito bem, Sueli acompanhava tudo através dessas publicações. E, segundo os relatos da família de José, Sueli não estava tão bem assim.
Ela já enfrentava, mais uma vez, uma separação. Foi então que ela decide procurar José novamente. Ela envia uma mensagem escrita dizendo que havia recebido uma orientação de Deus, em que ela e José tinham uma grande missão pela frente, mas que eles tinham de cumprir essa missão juntos como um casal. E essa missão em questão seria fundar uma igreja onde ela seria pastora.
E ele estaria ao lado dela, sempre ajudando nas atividades religiosas. Juntos, então, conquistariam muitas almas para Jesus. Sueli estabelece algumas condições para que os dois passassem a viver juntos. E uma delas era a seguinte: tinham que oficializar a união por meio de um casamento civil. Por quê? Porque, para ela exercer um ministério pastoral, deveria manter uma conduta religiosa adequada.
E, por isso, enquanto eles não se casassem, não poderiam ter relações sexuais. O pior de tudo, gente, é que o José concorda com tudo isso. Com essa decisão de retomarem o relacionamento, eles passam a procurar um lote para construir a igreja e também uma casa onde morariam. Mas essa escolha se dá no estado de Goiás.
Depois de um tempo procurando, surge a oportunidade de adquirir um lote em Bela Vista de Goiás, onde já existia uma construção improvisada. Esse lote pertencia a “seu” Praxedes, que havia colocado à venda parte do terreno onde ele morava, que era bem grande. Então, ele divide esse lote e, na negociação, o José entrega aquele carro que ele havia adquirido como parte do pagamento. E, para seguir aquele plano, ele encerra o relacionamento com Lucy.
Sueli deixa o emprego dela, recebe a rescisão e, por volta de 2020, o novo casal, Sueli e José, muda-se para Bela Vista de Goiás, onde inicia a nova etapa de suas vidas. Ao chegar ao local, eles se organizam naquela casa improvisada. Com o tempo, “seu” Praxedes, esse vizinho que vendeu parte do lote, percebe as dificuldades que José estava enfrentando porque ele ficou sem carro nessa negociação do lote.
Então, ele oferece uma moto que o amigo dele estava vendendo. Sueli usa parte do dinheiro que ela recebeu da rescisão e compra essa moto. José continuava trabalhando como motorista de caminhão, realizando entregas e enfrentando uma rotina bastante puxada. Fizesse sol, fizesse chuva, estava ele lá, trabalhando com cargas pesadas.
Segundo os relatos da família de José, Sueli não trabalhava fora; passava parte do dia em casa e não demonstrava cuidado na organização da rotina doméstica. Mas continuava sendo a mesma religiosa de sempre. Participava de vários eventos religiosos com louvor e palavra. Inclusive, em alguns eventos de outras igrejas, ela estava lá presente, praticamente já sendo vista como uma líder religiosa.
Já o marido, com o trabalho que realizava, ia comprando os materiais necessários para construir a casa, e nas horas vagas ele já ia fazendo a fundação, erguendo as paredes. Ele mesmo, gente, com as próprias mãos. E não demorou para que essa casa ficasse pronta. Foi nesse momento que o casal finalmente oficializa a união.
Só que houve uma situação que deixou os familiares dele bastante magoados. Por quê? Porque ninguém da família de José foi convidado para esse casamento. Sequer sabiam que ele iria se casar. A cerimônia aconteceu na própria residência do casal, com a presença somente de alguns familiares da Sueli. A celebração foi registrada em foto e depois publicada nas redes sociais.
Foi aí que a família teve conhecimento do ocorrido, o que causou, obviamente, muita tristeza e, acredito, um pouco de decepção, né? Porque ninguém entendia a atitude do José naquele momento. Por que ele não avisaria a ninguém? Por que não convidou ninguém? Não era do feitio dele fazer isso.
Tanto que Vanessa, a irmã de José, diz que não aguentou. Ela foi conversar com o irmão para perguntar por que não foi informada do casamento. Ninguém foi, nem que fosse um almoço simples, ao menos para eles comemorarem esse casamento. Foi aí que ela ouve do próprio irmão o seguinte: que ele não convidou ninguém nem avisou porque aquela teria sido uma “orientação de Deus” dada à esposa de que era melhor eles casarem sem a presença dos familiares.
E essa alegação, obviamente, deixa Vanessa inconformada. Para ela, nada daquilo fazia sentido e Sueli estava novamente utilizando-se da religiosidade para influenciar e afastar esse homem dos familiares. Agora eu me questiono, e talvez vocês também se questionem: por que o José não falava nada? Será que ele era tão influenciável assim? Conta aqui nos comentários o que você pensa a respeito disso.
Mas aquele momento do casamento, gente, na verdade, representava muito mais que a união de duas pessoas, né? Para Sueli, significava que, dali em diante, ela poderia realizar o objetivo de se tornar pastora. Tanto que, pouco tempo depois desse casamento, José inicia a construção de uma igreja naquele lote. Foi ele inclusive quem começou essa obra,
fazendo a fundação, construindo ali os banheiros externos. E aí, quando chega à parte da cobertura, alguns religiosos vão ajudá-lo a fazer essa parte, né, que é bastante pesada e exige que mais pessoas estejam perto para ajudar. Então, forma-se aí uma igreja bem simples. É um espaço construído pequeno, ainda não tinha todos os acabamentos, mas Sueli decide dar início aos cultos naquele templo e reconhece o nome dessa igreja como Pentecostal Avivamento Ágape.
Bem assim, gente, bem rápido, bem fácil, né? E ela se apresentava, então, como pastora e assume a liderança dessa congregação, ficando responsável pelas pregações e pela realização dos cultos. Eu gostaria de dizer também que essa igreja não era nada “escondido”; ela era aberta ao público, para todo o mundo, e as pessoas podiam chegar e ser bem recebidas nesse local.
Eles tinham também uma página na rede social, então era de conhecimento de muitas pessoas a existência dessa igreja, desse nome, dessa congregação. Aos poucos, as pessoas começaram a frequentar esse local. Lembrando que ela já era conhecida no meio religioso. E, segundo o depoimento de uma das fiéis, a congregação chegou a reunir aproximadamente 15 membros, fora aquelas pessoas que participavam ocasionalmente.
Sueli seguia sem trabalhar fora. Vivia para a igreja porque acreditava que deveria “viver a obra de Deus”. Com isso, obviamente, ela dependia financeiramente do José. E, segundo conta uma das irmãs dele, além de José pagar as despesas da casa, era ele quem pagava também as despesas pessoais da Sueli.

E ela gastava. E não era pouco. Porque ela gostava de frequentar salões de beleza, fazer escova, selagem, banho de brilho nos cabelos. Cuidava das unhas, gostava de comprar roupas e sapatos para fazer as pregações, já que ela não gostava de repetir roupas. Era exatamente isso que revoltava esses familiares. Mas eu queria também lembrar aqui que o José não era nenhum “homem novo”, não era nenhum “gurizão”; ele era um homem já bem vivido, com mais de 40 anos.
Então, queira ou não, era ele o primeiro a aceitar essa situação, caso isso fosse verdade. Eu digo “se é que era verdade”, por quê? Porque existe uma outra versão, que é a contada pelos fiéis. Eles dizem que as coisas não eram bem assim. Ela era alguém simples, alguém acolhedora, que sim repetia roupa e que, inclusive, fazia diversas obras em prol das pessoas necessitadas.
Segundo o relato de uma das fiéis, a pastora chegava a fazer faxina para ajudar moradores que enfrentavam dificuldades. Além disso, ela preparava “sopões” e os distribuía a pessoas vulneráveis; organizava cestas básicas com a ajuda dos membros da igreja. E esses alimentos eram distribuídos em toda a cidade, inclusive para pessoas em situação de rua.
Eles também realizavam bazares no templo com o objetivo de arrecadar dinheiro para melhorar a igreja. Faziam encontros no monte, oravam bastante nesse local por várias pessoas. Eles a admiravam muito e a viam como uma mulher de Deus. José também desempenha um papel de destaque nessa igreja, porque a pastora Sueli o coloca na função de diácono, auxiliando-a, então, nas atividades religiosas e no trabalho da congregação.
E mesmo com essas responsabilidades, como o trabalho de caminhoneiro, a presença dele nos encontros e cultos era certa. Em uma das atividades, que ele amava realizar, ensinava música aos participantes. E, conforme conta “seu” Adonias de Assunção, a história dele com a igreja é a seguinte: ele conhece primeiro Sueli, em 2021, por intermédio da busca por ajuda espiritual; e foi através dela, portanto, que ele conhece o José.
Com o tempo, os dois se tornaram muito amigos. O José chega a ensinar o “seu” Adonias a tocar violão. E esse homem diz que o casal era visto como pessoas amorosas e do bem, que realizavam inclusive encontros de casais, ajudando-os a viver melhor a parte conjugal e espiritual também. E com o tempo iam chegando cada vez mais pessoas nessa igreja, porque lá elas eram bem acolhidas.
E quem vivia nesse cotidiano religioso lá nesse templo, via, portanto, o quê? Um casal, que vivia muito bem. Era uma relação admirável. Só que toda essa imagem vai desmoronando conforme o tempo passa. Para uma das irmãs de José, as discussões entre o casal se iniciaram por questões financeiras, porque Sueli gastava demais, comprava muita roupa e queria se apresentar muito bem.
Fora que ela começa a tirar a autoridade do esposo dentro da congregação, porque alegava que a igreja pertencia a ela. Lembrando mais uma vez que este é o relato da família. Agora, para os fiéis, a coisa era diferente disso. Uma das pessoas que frequentava a igreja contou que presenciou situações em que José se irritava com as atividades realizadas naquele templo, principalmente durante os bazares para arrecadar dinheiro.
Porque, nesses momentos, ele chegava a tratar Sueli com grosseria, utilizando palavras pesadas e fazendo comentários que a deixavam bastante constrangida diante dos demais membros da congregação. Ainda segundo uma dessas fiéis, José colocava as pessoas contra a esposa dele. Até que chega um ponto que, para quem olhava de fora, era como se os dois estivessem numa disputa de quem podia mandar mais dentro da igreja.
Só que o que acontecia, na prática, era que a pastora dedicava muito mais horas àqueles fiéis e à igreja em si, destacando-se principalmente perante quem acompanhava as atividades sociais desenvolvidas por ela. Portanto, ficava uma boa impressão daquela mulher. Até que, em abril de 2022, a pastora Sueli contrata um plano funerário junto à Funerária Fênix, incluindo o marido como uma das pessoas contempladas pelo contrato.
Esse plano também possui uma modalidade de auxílio financeiro e um período de carência de 5 meses. Ou seja, ela só teria algum benefício caso ocorresse algo com o marido depois desse período. Só que, paralelamente a tudo isso, conforme os meses se passam, a convivência entre os dois começa a ficar ainda pior.
E um dos motivos dessas discussões envolvia principalmente um homem chamado José Wilson, que era solteiro e participava das atividades religiosas. A aproximação entre este homem e a pastora vai aumentando, tanto que ela decide mudar o cargo do marido. Ela rebaixa o patamar dele. Ele não é mais presbítero e quem ocupa essa cadeira é, então, o José Wilson.
Na entrevista concedida pelas irmãs, a família conta que José se sentia desrespeitado e, ao perceber que o outro presbítero estava assumindo uma posição de destaque nas atividades da igreja, sentia-se irritado. Por quê? Porque estava perdendo o seu espaço. E essa situação contribui para, cada vez mais, haver mais briga entre marido e esposa.
Além disso, José começa a desconfiar de que a esposa estaria o traindo com o novo presbítero. Daí para a frente, foi só para trás. Certo dia, alguns fiéis estavam reunidos na igreja quando a pastora Sueli procura o marido para pedir a ele dinheiro que era separado da igreja, destinado à compra de refrigerante. Só que ele se recusa a entregar esse valor e começa a chamá-la de traidora e outras palavras bem ofensivas, bem baixas.
E ainda que a pastora pedisse para que ele parasse, não adianta. Ele vai falando de tudo quanto é coisa para ela, na frente de todo o mundo que estava ali, e manifesta naquele momento a intenção de encerrar os cultos naquele espaço que ele construiu. E foi exatamente isso o que aconteceu. Revoltado, ele decide desmanchar o espaço onde a congregação realizava suas atividades religiosas, e ali foi o fim da igreja naquele local.
Ainda assim, gente, Sueli não desiste. Ela continua com o trabalho religioso. O pessoal, com pena dela e vendo o esforço da mulher como pastora, arruma para ela um espaço destinado ao culto. Nesse espaço também havia uma cantina. E com o encerramento das atividades religiosas, então, lá na casa dela, ela passa a ficar cada vez mais nesse novo local.
Ainda conforme os relatos da família de José, Sueli teria dito ao marido que os dois não teriam mais uma vida de casal a partir dali. Eles moravam juntos, viviam juntos, mas não dormiam juntos. O José queria separar os bens e tocar sua vida a partir dali sozinho. Tanto que ele conta à família que tinha a intenção de ir embora para a casa de uma tia no Distrito Federal. Mas ele só queria sair dali quando houvesse a partilha, que seria a divisão da casa, do lote e da moto, que era o que o casal tinha.
Mas Sueli não queria isso. Ela queria que o marido pegasse as coisas e fosse embora, o que não acontecia. Conforme “seu” Adão contou — ele é um homem bem ligado à igreja e também amigo de José —, houve uma ocasião em que José fica doente e pede para que “seu” Adão o levasse até o hospital.
E aí, nesse caminho, eles conversavam bastante, até que o José confessa que amava demais a Sueli a ponto de ser capaz de tirar a própria vida por ela. E talvez ele percebesse que a Sueli realmente já estava em uma outra relação, porque ela começa a se envolver com um presbítero que ela mesma nomeou, que é o José Wilson. A aproximação entre os dois vai se intensificando durante esse período de separação.
Segundo o próprio José Wilson contou, a relação entre ele e a pastora teve início em 5 de setembro de 2022, havendo entre eles um sentimento forte, mas, devido aos princípios religiosos, eles não mantinham relações sexuais. Eles permaneciam, em algumas ocasiões, sozinhos, e conversavam sobre a vida e sobre a igreja. Ao menos, é o que ele conta.
Até que, na quinta-feira, 22 de setembro de 2022, por volta das 5h30 da tarde, Sueli e José acabam discutindo novamente sobre a partilha dos bens. Aquela briga aumenta naquele dia, mais do que o normal. Sueli perde a cabeça, lança um objeto contra o marido e acerta a testa dele em cheio, além de pegar de raspão no rosto.
José fica muito machucado e completamente desacorçoado, indo até a casa do “seu” Praxedes, aquele vizinho que lhes vendeu o lote. Lá, o José conta a este homem sobre a briga, o que nem precisava, né? Porque o ferimento já contava tudo. Diante daquela situação, o vizinho fica bem preocupado. Ele sabia que a relação do casal já estava bem desgastada.
José chega ainda, naquela tardinha, a pedir o seguinte: “Olha, se acontecer alguma coisa comigo, por favor, informa meus familiares”. Ainda para garantir, José bate uma foto para provar que estava sendo agredido, caso precisasse registrar alguma queixa na polícia. Só que, enquanto ele estava na casa do “seu” Praxedes, Sueli permanecia na residência.
E, para a investigação, pode ter sido nesse momento que ela preparou algo fatal. Acredita-se que, munida de chumbinho, aquela substância fatal e venenosa, ela o teria dissolvido em água, refrigerante ou mamão, até que, por volta das 7 da noite, José volta para casa. O que acontece a partir dali, ninguém presencia, absolutamente ninguém.
A suspeita é de que o José teria ingerido o alimento, como o mamão. Ou, talvez, ele tenha ingerido alguma bebida contaminada por esse chumbinho. E depois disso, ele teria ido deitar. Por volta das 7h30 da noite, Sueli sai de casa, pega a moto e vai para a igreja. E, segundo os vizinhos, eles ouviram o barulho da moto por volta das 9 horas da noite.
O que chama a atenção deles também é que as luzes externas da casa, que José costumava manter acesas por segurança à noite, foram apagadas. Além disso, o celular dele foi resetado, os chips de memória do telefone foram danificados; ou seja, aquela foto que ele bateu já era. A suspeita também é de que a moto teria sido colocada dentro da casa do casal, e depois Sueli retorna à igreja, mas ela não fica sozinha lá na igreja.
De acordo com as declarações prestadas pelo próprio José Wilson, o presbítero, ele teria ficado com ela na cantina até a madrugada. Juntos eles prepararam batatas fritas, conversaram sobre assuntos pessoais e atividades da congregação. Entretanto, todas as mensagens que eles trocaram foram apagadas naquela madrugada. Em paralelo a esses momentos de romance vividos pelo novo casal, José Maria, de 49 anos, estava em casa envenenado.
E aí ele começa a passar mal. A cena encontrada posteriormente ajuda a compreender o que pode ter ocorrido dentro daquela casa. Isso porque, em determinado momento, o veneno começa a fazer efeito. José sente um mal-estar intenso e começa a vomitar repetidamente. Ele vai perdendo as forças. Sai da cama. Ele cai da cama, na verdade, e se arrasta até a porta para poder abrir a residência e pedir socorro, mas não consegue sair daquela casa nem abrir a porta.
Ao se aproximar da saída, ele acaba perdendo completamente as forças e morre ali mesmo, bem próximo à porta, a única entrada para aquela casa. Assim que amanhece a sexta-feira de 23 de setembro, Sueli se prepara para retornar à residência. Por volta das 7h30, ela abre a porta da casa, e acredita-se que a atitude dela depois disso tenha sido um teatro.
E, para a equipe investigativa, quando ela adentra essa residência, algumas coisas sugerem que ela teria manipulado objetos ali dentro, como por exemplo, um fio de ventilador que eles percebem que caiu em cima do vômito ao redor do corpo dele, ali na porta. Ou seja, se o cabo estivesse ali e ele tivesse vomitado, o vômito estaria por cima do cabo, e não o cabo por cima do vômito.
E depois disso, ela sai encenando um susto, um desespero, na casa do vizinho “seu” Praxedes. Ele estava com a esposa, dona Miraci, naquele momento, e ela conta que a Sueli estava bastante agitada, dizendo que encontrou o marido morto dentro de casa. Na mesma hora, a história fica ainda pior. Ela passa a afirmar que José teria provocado sua própria morte.
E, para os vizinhos que conheciam o problema enfrentado pelo casal, a conversa dela já não os convence naquele mesmo momento. A polícia foi acionada imediatamente, e, quando os agentes chegam ao imóvel, deparam-se com o atendimento da emergência já no local, que havia constatado a morte de José. E até aí os policiais contam que ela estava aparentemente calma.
Porém, em determinado momento, a equipe investigativa começa a andar ao redor da casa e localiza um pequeno frasco plástico em uma passagem de terra e vegetação próxima à entrada da propriedade. O recipiente aparentava ser de uma embalagem de chumbinho. Segundo o depoimento do policial, a Sueli, que até então estava tranquila, muda completamente.
Depois que ela vê que os agentes encontram essa embalagem, ela fica nervosa e começa a falar de maneira agitada, tentando se aproximar daquele frasco que ela queria pegar. Além disso, ela começa a falar sozinha, insistentemente, que ela não tinha feito nada contra esse marido; que ele foi quem havia ingerido veneno por vontade própria, com a intenção de incriminá-la.
O investigador afirmou que essa explicação causou uma grande estranheza, principalmente porque ela apresentou uma acusação contra ela mesma antes que eles pudessem ter concluído qualquer relação quanto a isso. E foi diante dessas circunstâncias — da embalagem e da atitude dela — que a Sueli acaba recebendo a voz de prisão em flagrante.
Na delegacia, ela informa que ficou sozinha a noite toda lá na igreja e que não estava em casa. A equipe pericial vai até a residência e começa a fazer todos os estudos dos objetos, enquanto ocorria a análise do corpo de José. E a perita identifica resíduos de chumbinho em diferentes pontos da residência.
Por exemplo, na pia, havia um copo que, no fundo, tinha vestígios dessa substância, o que indicava que alguém dissolveu o veneno naquele copo e depois jogou no ralo da pia. Eles analisam também o encanamento e a caixa de gordura, onde foi constatado que ali havia, sim, as substâncias. Outros fragmentos do veneno foram vistos no mamão, inclusive no vômito do próprio José, que também foi analisado.
Posteriormente, os exames do corpo corresponderam a essa análise da casa; ou seja, este homem morreu envenenado. No dia seguinte, sábado, 24 de setembro de 2022, Sueli passa por uma audiência de custódia com a juíza Vanesca da Silva, da Primeira Vara Criminal de Caldas Novas, em Goiás. Na audiência, Sueli disse que ficou na igreja sozinha, que não estava em casa, que o marido fez isso contra si mesmo para imputar a ela algum crime, mas que ela não havia feito nada, que não sabia nem de onde saiu esse veneno.
A defesa dela pede para que ela responda ao processo em liberdade, alegando que não havia provas para levá-la à prisão e que também ela tinha condições favoráveis naquele momento, como, por exemplo, endereço fixo — que ela tinha ali uma residência —, mas isso não é acolhido pelo Ministério Público. Ela acaba tendo a prisão em flagrante convertida em preventiva, e a juíza classifica a Sueli como uma mulher “fria e indiferente”.
Com a decisão, Sueli foi encaminhada à Unidade Prisional Feminina de Aparecida de Goiânia, onde permaneceria à disposição da Justiça. Enquanto isso, a Polícia Civil continuava trabalhando para esclarecer os acontecimentos daquela noite. Até que, no dia 27 de setembro de 2022, o José Wilson presta depoimento à polícia. Acompanhado do advogado dele, ele esclarece o envolvimento que tinha com a pastora.
Deixa claro que esse envolvimento se deu no processo de divórcio dela com o José e também afirma que ficou com a pastora lá na cantina da igreja na noite em que o José foi a óbito. Ainda que a polícia verificasse que as mensagens trocadas entre José Wilson e Sueli foram apagadas, não havia nenhuma prova que colocasse este homem na cena do crime.
Uma coisa que chamava a atenção da polícia naquele momento era a documentação apresentada por Sueli. A delegada Magda D’Ávila informa que a pastora tinha documentos de identidade com sobrenomes diferentes, mas isso se devia aos relacionamentos, aos casamentos que ela teve anteriormente.
A Polícia Civil também decidiu divulgar a fotografia de Sueli, buscando identificar outras pessoas que eventualmente pudessem fornecer informações relevantes sobre seu passado. Foi nesse contexto que surge uma acusação envolvendo aquele relacionamento anterior que a Sueli teve lá no Distrito Federal. Segundo as informações recebidas pela polícia, divulgadas depois pela imprensa, familiares deste homem teriam dito que desconfiavam de que Sueli também havia tentado envenenar aquele antigo companheiro.
A história da relação dela com os filhos também veio à tona. E todo esse caso passou a ser cada vez mais comentado na imprensa, bem como entre os moradores de Goiânia. Com o avanço das diligências, ocorreu a conclusão do inquérito policial. As informações reunidas pela Polícia Civil foram encaminhadas ao Ministério Público, que considera os vestígios das substâncias tóxicas encontradas no imóvel, os relatos dos vizinhos, os conflitos envolvendo a separação do casal, e as declarações dela prestadas durante a investigação, que
batiam de frente com as de José Wilson. E tudo isso somado ao plano funerário reforçava a suspeita de que o crime pudesse ter motivação financeira. Diante dessas circunstâncias, o Ministério Público apresenta denúncia contra Sueli, acusando-a formalmente de homicídio qualificado. Sueli foi submetida ao Tribunal do Júri em 3 de dezembro de 2024.
Aos 44 anos, ela foi levada então ao Júri da comarca de Bela Vista de Goiás. E a sessão foi presidida pelo juiz Lázaro Alves Martins Júnior. A acusação ficou sob a responsabilidade do promotor de justiça André Lobo, enquanto a defesa de Sueli foi conduzida pelo advogado Dr. Diego Silva de Sá. As testemunhas, entre elas vizinhos, familiares e fiéis da igreja, foram ouvidas, e era notável o quanto as pessoas tinham uma imagem contraditória desse casal.
Sueli presta declarações. Ela não chorava, não parecia estar nervosa. Contou um pouco sobre a relação com os filhos e o primeiro casamento. Ela nega o envolvimento no crime contra José, continua dizendo que o homem cometeu um ato contra si, que ela não tinha nada a ver com aquilo, e negou também o envolvimento com o presbítero da igreja.
Para o promotor André, a versão de suicídio apresentada por Sueli não se sustentava diante das provas materiais e testemunhais. Já a defesa conduzida pelo Dr. Diego questionava as provas, a fim de demonstrar que Sueli não teria administrado aquelas substâncias. Para a defesa dela, não é que o José não houvesse ingerido o veneno.
Sim, ele havia ingerido. Mas quem poderia provar que foi a Sueli que fez isso? O argumento central, portanto, era de que fosse preciso provar que a Sueli cometeu aquilo contra o marido e, por isso, eles pedem que essa mulher seja absolvida. Só que, no final, a votação do júri rejeita a tese de absolvição.
Sueli Alves dos Santos Oliveira foi considerada culpada pela morte de José Maria Vieira de Oliveira. O magistrado fixou a condenação em 15 anos de reclusão pelo crime de homicídio qualificado pelo emprego de veneno, com cumprimento da pena inicial em regime fechado e sem poder recorrer da sentença em liberdade.
E, ainda que condenada, há quem acredite até hoje que José cometeu algo contra si mesmo. Mas, quando acompanhamos um caso, é importante atentar para a perícia. E o que temos, muitas vezes, são relatos de pessoas próximas, bem como da própria família. O problema é que nem sempre se sabe ou se tem total conhecimento do que acontece na vida da outra pessoa.
Tem mãe que não conhece, o filho ou o irmão que muda completamente, dependendo de com quem ele se envolve. Mas esse caso escancara para todos nós o quanto o nosso mundo está extremamente caótico. A gente enfrenta uma fase agora bem difícil, porque, muitas vezes, a gente é descartado com uma facilidade absurda. São relações frágeis demais entre famílias;
a troca de parceiros é feita com uma enorme facilidade. A pessoa é casada e de repente o parceiro ou a parceira a troca assim, né, por alguém que vende um discurso barato e inclusive usa Deus para tudo, até para manipular. E é uma grande quantidade de igrejas que estão sendo levantadas com facilidade. E só para deixar claro que eu não me refiro aqui apenas a igrejas evangélicas; é em todas as religiões.
É tão fácil levantar a parede e, com essa mesma facilidade, alguém se torna sacerdote. O fiel, na boa intenção, busca ajuda espiritual. Chega nesses locais com sede de entendimento espiritual, mas para isso ele precisa ser um pouco surdo e um pouco cego. Porque, se abrir os olhos demais, ele pode ver sacerdotes cometendo traições.
Ele pode ouvir histórias de cristãos que estão ao seu lado, mas que têm um passado mais sujo que pau de galinheiro. E para piorar, se ouvir bem e prestar bem atenção, vai notar que lá na frente, no palco, tem uma grande disputa por poder. A igreja, gente, ela não é mais a igreja em que a gente entrava de cabeça baixa, com respeito e com vestes decentes.
Agora é um espaço que lota com roupas impecáveis, coladas, e mostra o corpo escultural da irmã que fez lipoaspiração. E depois essa irmã, com os cabelos hidratados, vai distribuir pão mostrando o quanto ela é maravilhosa. A maioria do povo de fé já vai para a igreja porque lá vendem prosperidade. Poucas igrejas atualmente ensinam a nos colocar no lugar dos mais necessitados; ensinam que a nossa alegria é estar bem e ver o outro bem, independentemente da religião do outro, independentemente da classe, da cor, do estado e da região.
Onde se erguem paredes sem princípios, o que resta é provar de um veneno amargo, seja ele engolido por vontade própria ou sem ter consciência de que se está engolindo. Mas o fato é que, enquanto o povo não acordar, todos vão acabar bebendo e provando do próprio veneno, porque o ser humano, e infelizmente o povo brasileiro, deixou de se amar. E nesse momento em que escrevo isto, eu percebo que o brasileiro se dividiu por conta de números e esqueceu do quanto a gente é frágil e depende um do outro. O ser humano se desenvolveu pelo fato de conseguir cooperar. E, vendo esse cenário de hoje, eu me questiono sobre quando a gente deixou de cooperar com o outro e de se colocar no lugar do outro.
Bom, eu vou ficando por aqui. Me conta o que você pensa a respeito desse caso e quais outros casos vocês querem por aqui. Siga a página. Um grande beijo e que o universo nos abençoe e abençoe o nosso país.