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RELATOS EMOCIONANTES DE QUEM TENTOU SE COMUNICAR COM A FAMÍLIA DO OUTRO LADO | MÉDIUM ELIAS VALENÇA

A história completa

Quando a música começou e as portas da igreja se abriram, todos se levantaram para olhar a noiva. Eu não, porque havia um homem caminhando ao lado dela. Ele devia ter pouco mais de 50 anos. Usava um terno escuro, gravata azul e mantinha o braço ligeiramente dobrado, como se a jovem estivesse apoiada nele. Mas ela não estava.

A noiva caminhava sozinha. Em determinado momento, ela diminuiu o passo. Os olhos se encheram de lágrimas. O homem parou junto dela, inclinou o rosto e sorriu. Depois tentou segurar sua mão. Os dedos atravessaram os dela. Foi quando olhei para a primeira fileira. Uma senhora apertava uma fotografia contra o peito. O homem da fotografia era o mesmo que caminhava ao lado da noiva. Só então compreendi.

O pai daquela moça estava morto e, naquela igreja inteira, somente eu conseguia vê-lo levando a filha até o altar. Meu nome é Elias Valença. Sou um médium e minha missão nesta terra é ajudar os vivos e os mortos. Eu consigo ajudar uma pessoa a encontrar uma resposta que ela carregou durante anos. Esta foi uma dessas vezes.

O morto apareceu no casamento da própria filha e somente eu conseguia vê-lo. O nome da noiva era Marina. Eu conhecia pouco aquela jovem. Quem havia me convidado para o casamento era Marta, sua mãe. Eu a conhecia havia alguns anos e sabia que o marido dela tinha morrido, mas nunca tinha visto uma fotografia dele. Por isso não reconheci o homem quando ele apareceu. O nome dele era Roberto.

Morrera 4 anos antes. Tinha 54 anos. Um câncer descoberto tarde demais. Da descoberta da doença até a morte, foram apenas 7 meses. Na recepção, antes da cerimônia, Marta havia me contado uma coisa. Marina e Roberto eram inseparáveis. Ela era a única filha. Quando pequena, esperava o pai chegar do trabalho sentada no degrau da varanda.

Quando ele estacionava o carro, ela corria até o portão. Roberto dizia que sabia se a filha estava triste apenas pela maneira como ela o abraçava. Mas havia uma história que a família repetia desde que Marina era criança. Quando ela tinha 8 anos, foi dama de honra no casamento de uma prima. Ao voltar para casa, perguntou ao pai: “Quando eu casar, quem vai me levar?” Roberto respondeu: “Eu”. “Promete?” “Prometo.”

A menina levou aquilo muito a sério. Durante anos, sempre que alguém da família se casava, ela brincava: “Não esquece da promessa.” Roberto respondia: “Só não inventa de casar longe, porque eu não vou dirigir 6 horas de terno.” Virou uma brincadeira entre os dois, até deixar de ser.

Quando Roberto adoeceu, Marina tinha 24 anos. Daniel já era namorado dela. Roberto gostava do rapaz. Em algumas ocasiões, até provocava os dois: “Esse casamento sai ou vou ter que marcar eu mesmo?” Mas Roberto morreu antes que Daniel fizesse o pedido. Depois da morte do pai, Marina mudou. Não de uma vez. Foi aos poucos. Parou de falar sobre casamento. Quando Daniel finalmente a pediu em casamento, quase dois anos depois, ela aceitou.

Mas havia uma coisa sobre a qual não queria conversar: quem a levaria até o altar? A mãe sugeriu o tio. Marina recusou. Depois sugeriu o irmão de Roberto. Recusou novamente. Daniel chegou a perguntar se ela gostaria de entrar com Marta. Marina respondeu: “Não”. “Então, com quem?” Ela demorou alguns segundos: “Sozinha.”

E, quando a mãe tentou argumentar, Marina encerrou o assunto: “Aquele lugar era do meu pai. Se ele não pode estar aqui, ninguém vai ocupar.” Foi assim que ela entrou naquela igreja sozinha. Pelo menos era o que todos acreditavam. Eu continuei observando Roberto durante todo o caminho. Ele não olhava para mim. Na verdade, parecia nem perceber que eu estava ali. Seus olhos estavam na filha. Marina caminhava devagar. Quando chegou a aproximadamente a metade do corredor, sua respiração mudou. Eu percebi, Marta também. A mãe levou a mão à boca. Marina parou por apenas dois segundos, mas parou. Roberto também. Ele se aproximou, estendeu a mão para a filha, não conseguiu tocá-la, tentou outra vez.

Marina fechou os olhos, respirou fundo e continuou. Roberto foi junto. Naquele instante percebi algo que mudava completamente aquela manifestação. Aquele homem não tinha vindo atrás de mim, não queria minha ajuda. Talvez nem soubesse que havia um médium naquela igreja. Ele tinha vindo por ela. Quando Marina chegou ao altar, Daniel estendeu a mão.

Ela a segurou. Roberto parou. Ficou alguns passos atrás, olhou para os dois, sorriu. Depois caminhou até a primeira fileira. Havia uma cadeira vazia ao lado de Marta. Sobre ela, uma pequena fotografia de Roberto. Ele olhou para a própria fotografia, depois sentou-se naquela cadeira. A cerimônia começou.

Tentei prestar atenção nas palavras do celebrante. Não consegui. Continuava olhando para Roberto. Ele permanecia sentado. Em alguns momentos sorria. Em outros, abaixava a cabeça. Quando Marina pronunciou os votos, ele chorou. Não existe outra maneira de descrever. Eu vi aquele homem morto chorar no casamento da filha.

Foi então que aconteceu algo ainda mais estranho. Roberto virou o rosto e olhou diretamente para mim. Nossos olhos se encontraram. A expressão dele mudou. Primeiro surpresa, depois compreensão. Ele havia percebido. Alguém naquela igreja conseguia vê-lo. Roberto olhou para Marina, depois novamente para mim. Não ouvi palavra alguma, mas entendi.

A filha precisava saber que ele estava ali e isso me colocou numa situação difícil. Ao longo da minha vida, aprendi que existem momentos em que devemos falar. E existem momentos em que o silêncio é uma forma de respeito. Aquele era o casamento de Marina. Eu não iria me aproximar daquela jovem no meio da cerimônia para dizer que estava vendo seu pai morto.

Esperei. Quando terminou, Roberto desapareceu. Pensei que talvez tivesse acabado. Não tinha. Horas depois, durante a festa, voltei a vê-lo. Marina estava tirando fotografias com a mãe. Roberto estava atrás delas. Depois apareceu quando ela abraçou um tio. Mais tarde, enquanto os noivos cortavam o bolo, ele estava perto da mesa, sempre observando, nunca tentando chamar atenção, até começar uma música.

O mestre de cerimônias anunciou uma dança especial. Pais e filhas foram chamados para a pista. Algumas mulheres mais jovens entraram rindo. Outras abraçaram os pais. Marina permaneceu sentada. Daniel segurou sua mão. Ela sorriu para ele. Um sorriso pequeno. Mas eu vi quando os olhos dela começaram a brilhar.

Marina abaixou a cabeça. Roberto apareceu atrás da cadeira. Ele ficou imóvel. A filha apertou as próprias mãos debaixo da mesa, tentava não chorar. Roberto se inclinou, colocou a mão sobre o ombro dela, ou tentou. Sua mão atravessou, ele retirou, tentou novamente. Nada. Foi naquele momento que senti uma dor que não era minha.

Durante anos, as pessoas me perguntaram se um espírito sente saudade. Eu nunca gostei de responder a perguntas como essa com certezas. Mas naquela noite eu estava diante de algo que para mim parecia exatamente saudade. Um pai estava a poucos centímetros da filha. Podia vê-la, podia acompanhá-la, mas não podia abraçá-la.

Roberto desistiu de tentar tocar, apenas permaneceu ao lado dela. Marina aguentou até a música terminar. Depois levantou-se discretamente e saiu do salão. Roberto foi atrás. Esperei alguns segundos, então o segui. Havia um pequeno jardim atrás do salão. Marina estava sentada num banco. Roberto permanecia alguns passos à frente.

Eu fiquei distante. Ela acreditava estar sozinha. Começou a chorar. Não era aquele choro discreto que usamos quando não queremos estragar a maquiagem. Era um choro guardado havia muito tempo. Depois ouvi Marina dizer: “Você prometeu!” Roberto abaixou a cabeça. “Você prometeu que estaria aqui, pai.” Ele se aproximou. Marina continuou:

“Eu não queria ninguém no seu lugar.” Roberto se ajoelhou diante dela. “Eu só queria você.” Ele tentou tocar o rosto da filha. Marina chorava de olhos fechados. A mão dele encostou em seu rosto, ou chegou tão perto quanto conseguia. Foi então que Marina parou, abriu os olhos, levou a própria mão até a face, exatamente onde Roberto tentava tocá-la.

Ela ficou imóvel, depois perguntou: “Pai?” Roberto sorriu. Eu senti um arrepio percorrer meus braços, não porque tivesse medo, mas porque percebi que, por um instante, aquela mulher sentira alguma coisa. Não sei dizer o quê. Talvez uma lembrança, talvez uma sensação, talvez simplesmente o amor que carregava dentro dela.

Só sei o que vi. Roberto permaneceu ajoelhado. Marina permaneceu com a mão no rosto. Nenhum dos dois conseguia realmente alcançar o outro. Mesmo assim, durante alguns segundos, pareciam estar juntos. Eu deveria ter ido embora, mas Marina me viu. Limpou rapidamente as lágrimas. “Elias?” Aproximei-me. “Desculpe, não queria incomodar.“

Ela respirou fundo. “Há quanto tempo você está aí?” “Alguns minutos.” Ela olhou para o salão, depois para mim. Marina sabia sobre a minha mediunidade. A mãe havia comentado, por isso sua próxima pergunta não me surpreendeu: “Você viu alguma coisa?” Olhei para Roberto. Ele estava de pé novamente. Esperei alguns segundos. “Vi.” Marina perdeu a cor. “Meu pai?” “Senti.”

Ela começou a chorar outra vez. “Não faça isso comigo, Elias.” “Eu não faria.” “Onde ele está?” Apontei discretamente. “Perto de você.” Marina olhou, não viu nada. Aquilo pareceu machucá-la ainda mais. “Então, por que eu não consigo ver?” “Eu não sei.” Ela fechou os olhos. “Como eu posso saber que é verdade?” Eu poderia ter descrito Roberto.

Não adiantaria. Havia fotografias dele no casamento. Então me lembrei de algo. Durante a cerimônia, quando Marina parou no corredor, Roberto havia tentado pegar sua mão, mas antes disso fez um movimento estranho. Segurou a mão dela e pressionou o polegar três vezes. Eu contei. Marina ficou imóvel. “O quê?” Repeti três vezes.

Ela levou a mão à boca. Daniel apareceu na porta do jardim, mas percebeu a situação e permaneceu distante. Marina perguntou: “Você tem certeza?” “Tenho.” Ela chorou. Demorou um pouco até conseguir explicar. Quando era criança, Marina tinha crises de ansiedade antes de apresentações na escola. Roberto segurava sua mão e apertava três vezes. Uma significava “eu”, a outra “estou”, a terceira “aqui”.

Depois isso virou um código entre os dois. Quando Marina estava nervosa, Roberto não precisava perguntar nada. Segurava sua mão. Três apertos. “Eu estou aqui.” “Ninguém sabe disso”, ela disse. Fiquei em silêncio. Marina olhou novamente para o espaço vazio diante dela. Então contou algo que eu também não sabia. Naquela manhã, antes de sair para a igreja, ela havia pedido alguns minutos sozinha no quarto.

Já estava vestida de noiva. Sentou diante da cama, pegou uma fotografia do pai e falou: “Eu esperei 4 anos por algum sinal seu.” Depois chorou e, antes de sair, disse: “Se existe alguma maneira de você estar comigo hoje, entra naquela igreja comigo.” Marina olhou para mim. “Eu não contei isso nem para a minha mãe.” Foi então que tudo fez sentido.

Roberto não havia vindo procurar um médium. Não precisava que eu resolvesse alguma coisa. Não estava tentando revelar um segredo. Não havia mistério escondido naquela família. Havia apenas uma filha e um pedido. Marina respirou fundo, depois perguntou: “Ele entrou comigo?” Olhei para Roberto. Ele estava chorando.

“Entrou.” Marina cobriu o rosto. Esperei. Quando conseguiu falar novamente, perguntou: “Desde onde?” “Desde a porta. Ele caminhou com você o caminho inteiro.” Ela sorriu no meio das lágrimas. “Do meu lado?” “Do seu lado.” Ficamos em silêncio. Então Marina perguntou: “Ele ainda está aqui?” Olhei. Roberto permanecia diante dela.

“Está.” Ela não pediu para que eu perguntasse como era a morte. Não quis saber onde ele estava. Não perguntou se tinha encontrado parentes. Não pediu respostas sobre o outro lado. Fez apenas uma pergunta: “Ele está feliz?” Olhei para Roberto. O pai observava a filha com uma expressão que nunca consegui esquecer.

“Muito.” Marina fechou os olhos, respirou fundo, depois olhou para o lugar onde eu havia dito que ele estava. “Pai.” Roberto aproximou-se. “Eu achei que você tinha esquecido.” Ele negou com a cabeça. Ela continuou: “Eu achei que você tinha ido embora e pronto.” Roberto estava muito perto agora. “Mas você prometeu.” Ele sorriu.

Marina também. “Você cumpriu.” Roberto ergueu a mão. Dessa vez não tentou tocá-la, apenas ficou olhando. Então desapareceu. Não houve luz, não houve barulho. Nada mudou no jardim. Um instante ele estava ali. No seguinte não estava. Marina voltou para a festa. Daniel não fez perguntas naquela hora, apenas a abraçou. Mais tarde, vi os dois dançando.

Marina estava diferente. Não parecia alguém que tinha deixado de sentir saudade. Saudade não desaparece assim, mas alguma coisa pesada havia saído dela. Nunca mais vi Roberto. Meses depois, recebi uma correspondência. Dentro havia uma fotografia. Era o momento em que Marina entrava na igreja. Ela aparecia sozinha, vestido branco, pequenas mãos, olhos marejados.

Atrás da fotografia havia uma frase escrita por ela. “Eu achava que estava entrando sozinha.” Guardei aquela foto durante muitos anos. Ele simplesmente tinha feito uma promessa. Quando Marina tinha 8 anos, perguntou: “Quando eu casar, quem vai me levar?” E Roberto respondeu: “Eu”. A vida não permitiu que ele cumprisse aquela promessa da maneira que imaginava. A morte chegou antes.

Quatro anos depois, Marina colocou o vestido de noiva, olhou para uma fotografia e pediu: “Se existe alguma maneira de você estar comigo hoje, entra naquela igreja comigo.” Ninguém ouviu a resposta. Ninguém viu Roberto aparecer. Quando as portas se abriram, todos enxergaram uma mulher caminhando sozinha. Todos, menos eu.

Porque naquele dia eu vi uma coisa que jamais esqueci. Vi um pai morto caminhar ao lado da filha. Vi quando ele tentou segurar sua mão. Vi quando parou com ela no meio do corredor e vi quando a acompanhou até o homem com quem ela começaria uma nova família. Talvez eu nunca saiba explicar exatamente o que aconteceu naquela igreja, mas de uma coisa eu me lembro perfeitamente.

Marina entrou acreditando que o pai havia quebrado uma promessa e saiu sabendo que ele tinha encontrado uma maneira de cumpri-la, mesmo 4 anos depois de morrer. Siga a página.

Disclaimer: This story is fictional and created for entertainment purposes only. Any names, characters, places, or events are fictitious or used fictitiously. No real person or organization is intended to be portrayed.

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