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Caso em Patu (RN): Um Ato Inexplicável Que Chocou a Cidade.

O resto

Todas as manhãs, o casal de agricultores Francisca Alves da Silva Oliveira, conhecida como dona Chica, de 68 anos, e Raimundo Nonato de Oliveira, de 71, costumava fazer sua caminhada matinal. No dia 9 de janeiro de 2019, por volta das 5 horas da manhã, enquanto caminhavam pela RN-078, próximo ao trevo que dá acesso às cidades de Patu e Rafael Godeiro, na região oeste do Rio Grande do Norte, uma caminhonete branca parou atrás deles.

Um homem desceu do veículo e atirou na cabeça de Francisca, que faleceu instantaneamente no local. Raimundo, por sua vez, escapou ileso, pois conseguiu correr para dentro do mato e se jogar no chão, evitando ser atingido. A caminhonete partiu em alta velocidade na direção da cidade de Rafael Godeiro. Testemunhas contaram que os criminosos, durante a fuga, ainda tentaram atirar em duas mulheres que também caminhavam pela beira da estrada; no entanto, elas conseguiram escapar.

O comando da Polícia Militar mobilizou viaturas do Grupo Tático Operacional para realizar diligências na região. Horas após o crime, em uma ação conjunta envolvendo policiais civis e militares, a polícia recebeu informações da população e localizou os suspeitos do homicídio de Francisca e da tentativa de homicídio de Raimundo. Os quatro homens foram encontrados alcoolizados em um bar no centro da cidade de Patu.

Com eles foram apreendidos uma pistola calibre 380, munições e drogas. Foram presos: o médico ortopedista Wilson Edino de Freitas Jales, Leonardo Rodrigues do Nascimento, Júlio Ricardo Neto e Israel Franco de Oliveira. Wilson aparentava estar sob efeito de entorpecentes. Todos eles foram levados para a delegacia de Patu.

Leonardo, Júlio e Israel confessaram o crime e deram um relato minucioso. Eles afirmaram que estavam no carro com Wilson, que dirigia o veículo. Eles seguiam de Mossoró na direção de Patu quando Wilson viu o casal caminhando na rodovia, decidiu diminuir a velocidade e parar atrás deles. Nesse momento, sem qualquer motivo aparente, Wilson disparou sua arma de fogo, atingindo dona Chica, que ainda conseguiu se manter em pé, mas cambaleando.

Em seguida, Wilson desceu do veículo e, à queima-roupa, efetuou mais três disparos na cabeça da vítima. Por outro lado, Wilson negou veementemente qualquer envolvimento no crime. Wilson era ortopedista e traumatologista, e atendia em um consultório particular em Mossoró. Ele já estava sendo investigado por outros três homicídios.

Wilson foi apontado como mandante do assassinato de sua ex-mulher, Rita de Cássia Medeiros de Souza, de 47 anos, ocorrido em 15 de fevereiro de 2015, na zona rural de Messias Targino, município da região oeste do Rio Grande do Norte. Rita de Cássia foi executada por dois homens na frente do filho e da mãe.

Outro caso em que Wilson estaria envolvido foi na execução do motorista de ambulância Adolfo Fernandes Maia, de 38 anos, na cidade de Patu, ocorrida em 6 de outubro de 2017. Adolfo estava na calçada de sua casa brincando com seus filhos quando dois homens em uma motocicleta pararam em frente à residência, abriram fogo e fugiram imediatamente. Adolfo foi atingido por pelo menos oito tiros.

O terceiro homicídio encomendado por Wilson foi o de Risson Monteiro Carlos Godeiro, um agricultor de 42 anos, ocorrido em 25 de julho de 2018, também na cidade de Patu. Ele foi morto enquanto retornava da fazenda para a cidade. Todos esses assassinatos teriam sido cometidos por David Lucas de França Melo, de 19 anos.

David Lucas foi morto a tiros por Wilson na manhã de 23 de outubro de 2018, na comunidade de São Cristóvão, em Areia Branca, a 170 km de Patu. A investigação revelou que a execução de David ocorreu porque Wilson o havia contratado, cerca de 4 meses antes, para assassinar o delegado Sandro Régis, titular da Delegacia Regional de Patu.

No entanto, como o delegado não estava na cidade no dia planejado, David Lucas não conseguiu concretizar o plano. Mesmo assim, a polícia recebeu ligações anônimas informando sobre a intenção de assassinar o delegado. Os policiais chegaram a perseguir o suspeito, mas ele conseguiu escapar.

Wilson teria ordenado a morte do delegado Sandro Régis devido à sua prisão por posse ilegal de arma de fogo em 2015 e à investigação em andamento sobre os assassinatos de Rita de Cássia, Adolfo e Risson, nos quais ele era o principal suspeito. Com exceção do assassinato de David Lucas, que estava sendo investigado pela delegacia de Areia Branca, os demais crimes estavam sob a investigação do delegado Sandro Régis.

Em 11 de janeiro de 2019, os quatro envolvidos no assassinato de Francisca e na tentativa de homicídio de Raimundo tiveram a prisão em flagrante convertida em preventiva. Eles foram encaminhados para o Complexo Penal Regional de Pau dos Ferros.

Segundo a denúncia do Ministério Público, assinada pelo promotor de Justiça Carlos Henrique Harper Cox, da Comarca de Umarizal, as investigações apontaram que a motivação do crime foi o “sádico prazer de subtrair a vida de vítimas aleatórias”. O casal de idosos era reconhecido na sociedade local como pessoas de bem, pacatas, sem qualquer inimizade ou desavença. Além disso, eles sequer conheciam os autores do crime.

Os quatro envolvidos foram denunciados por homicídio qualificado por motivo torpe e impossibilidade de defesa das vítimas, sendo que o homicídio foi consumado no caso de Francisca e tentado no caso de Raimundo. Leonardo, Júlio e Israel foram denunciados como coautores do crime, pois aderiram integralmente à conduta criminosa de Wilson.

Os quatro haviam passado o dia anterior ao assassinato bebendo e usando drogas na cidade de Mossoró, sendo posteriormente presos num bar que vendia drogas em Patu. Posteriormente, Júlio Ricardo Neto acabou sendo retirado do processo por falta de provas. Em outubro de 2019, Wilson solicitou à Justiça para ser transferido para o Centro de Detenção Provisória de Apodi, alegando que era mais confortável e mencionando sua graduação em medicina.

No entanto, ele não apresentou o diploma. Além disso, pediu que fosse instaurado um processo de incidente de insanidade mental, apresentando como justificativa um documento datado de 2009 e uma consulta médica recente. O juiz indeferiu ambos os pedidos. Após passar 10 meses preso, em novembro de 2019, Israel Franco de Oliveira conseguiu o direito de responder ao processo em liberdade.

Logo após ser libertado, Israel começou a trabalhar como entregador de pizzas para um parente. Na noite de 11 de dezembro de 2019, por volta das 22 horas, enquanto fazia uma entrega no bairro Santo Antônio, em Mossoró, Israel foi executado com três tiros.

Ele havia saído da cadeia pública de Caraúbas apenas 29 dias antes. Segundo a polícia, sua morte não teve relação com o caso pelo qual ele havia sido preso. Wilson Edino de Freitas Jales e Leonardo Rodrigues do Nascimento foram pronunciados para julgamento pelo Tribunal do Júri.

O julgamento estava previsto para ocorrer em Patu ou Umarizal. Porém, devido à falta de garantias de segurança, especialmente pelo temor que Wilson inspirava na cidade e por seu envolvimento em outros crimes, além de sua família possuir grande influência econômica e política, houve o desaforamento para a cidade de Mossoró. Devido a um problema técnico, Wilson e Leonardo foram julgados em datas diferentes.

Em 8 de março de 2022, na Primeira Vara Criminal do Fórum Municipal Desembargador Silveira Martins, em Mossoró, o médico ortopedista Wilson Edino de Freitas Jales foi a júri popular pelo assassinato de Francisca Alves da Silva Oliveira, conhecida como dona Chica, de 68 anos, e pela tentativa de assassinato do marido dela, Raimundo Nonato de Oliveira, de 71, ocorridos em janeiro de 2019.

A sessão foi presidida pelo Juiz de Direito Vagnos Kelly Figueiredo de Medeiros. Na defesa de Wilson, estavam os advogados Olavo Hamilton Ayres Freire de Andrade, Jéssica Eduarda Franca de Souza e Enoque de Almeida Jales. Na acusação, atuaram os promotores Vinícius Lins Leão e Augusto Carlos Rocha de Lima.

A defesa havia arrolado cinco testemunhas, mas antes do início dos debates elas foram dispensadas. O delegado Sandro Régis, que auxiliou o delegado Paulo Nilo na prisão de Wilson, e a vítima sobrevivente, Raimundo Nonato de Oliveira, foram ouvidos como testemunhas. Em seu depoimento em juízo, Wilson negou ter matado Francisca e acusou Leonardo e Israel pela prática do crime.

Segundo Wilson, ele e Júlio Ricardo estavam dormindo no banco traseiro do veículo quando Leonardo e Israel efetuaram os disparos contra Francisca e Raimundo. Porém, o depoimento de Raimundo corroborou com o que Leonardo e Israel contaram. Conforme foi apurado, Wilson costumava andar armado e exibia a arma para intimidar as pessoas; ele é temido na cidade.

Wilson Edino de Freitas Jales foi condenado a 22 anos de prisão pelo homicídio qualificado de Francisca Alves da Silva Oliveira e absolvido do homicídio qualificado tentado contra Raimundo Nonato de Oliveira. O conselho de sentença reconheceu a agravante de o crime ter sido cometido com recurso que dificultou a defesa da vítima, bem como a agravante de a vítima ser maior de 60 anos, pois Francisca possuía 68 anos de idade quando foi assassinada.

Tanto a defesa quanto o Ministério Público interpuseram recursos contra a decisão. Em 28 de março de 2022, no Fórum Municipal Desembargador Silveira Martins, em Mossoró, ocorreu o julgamento de Leonardo Rodrigues do Nascimento pelo assassinato de Francisca Alves da Silva Oliveira e pela tentativa de assassinato do marido dela, Raimundo Nonato de Oliveira, ocorridos em janeiro de 2019.

A defesa, representada pelo advogado Leandro Dantas de Queiroz, argumentou que Leonardo estava presente no carro no momento do crime, mas não teve participação nos disparos que resultaram na morte de dona Chica. Por outro lado, a promotoria sustentou que Leonardo teve participação direta no crime, sendo ele a pessoa que desceu do carro para efetuar os disparos fatais contra a vítima.

Leonardo foi condenado a 18 anos de prisão, inicialmente em regime fechado, pelo assassinato de Francisca, e foi absolvido da acusação de tentativa de homicídio contra Raimundo. A defesa de Leonardo também interpôs recurso contra a decisão. Em junho de 2023, a Câmara Criminal do Rio Grande do Norte analisou os recursos apresentados.

Decidiram em parte favoravelmente ao recurso de Leonardo Rodrigues do Nascimento, diminuindo sua pena para 16 anos de prisão. Contudo, os recursos de Wilson Edino de Freitas Jales e do Ministério Público não foram acatados, mantendo a sentença original. Leonardo, que estava preso desde a época do crime no presídio de Pau dos Ferros, a partir de outubro de 2023, passou a cumprir sua pena em regime aberto mediante o monitoramento eletrônico.

O Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio Grande do Norte abriu um processo ético-profissional contra o médico ortopedista Wilson Edino de Freitas Jales para apurar possíveis irregularidades ou violações do código de ética profissional por parte do médico.

No caso do homicídio do motorista de ambulância Adolfo Fernandes Maia, de 38 anos, ocorrido na cidade de Patu em 6 de outubro de 2017, em que Wilson foi apontado como responsável: embora tenha sido provada a existência do crime, não ficou claro quem foi o autor. Por isso, não havia motivo para levá-lo a julgamento pelo Tribunal do Júri ou absolvê-lo sumariamente por esse crime.

As outras acusações de homicídio contra Wilson ainda estão aguardando decisão judicial. Além disso, Wilson também está sendo processado por porte de drogas e de arma de fogo em Patu. Atualmente, ele está cumprindo pena na Cadeia Pública Dinorá Simas Lima Deodato, em Ceará-Mirim, na Grande Natal. Você se lembra ou conhecia esse caso? Siga a página.

Disclaimer: This story is fictional and created for entertainment purposes only. Any names, characters, places, or events are fictitious or used fictitiously. No real person or organization is intended to be portrayed.

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