A REVELAÇÃO PERTURBADORA ENCONTRADA ONDE JORGE LAFOND REPOUSAVA, 15 ANOS APÓS SUA PARTIDA…
O resto
Uma proposta que Jorge nunca ia esquecer na vida. Enquanto isso, Jorge estudava artes cênicas na Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro. Uma coisa impensável para um garoto negro da Baixada Fluminense daqueles anos 70, mas ele sabia exatamente o que estava fazendo e aonde queria chegar dentro do meio artístico brasileiro.
Uma faculdade que ninguém da família dele conseguia entender por que ele estava fazendo. Aprendeu tudo o que precisava sobre teatro na universidade carioca. Estudou personagens do carnaval e das drag queens de Nova York. E foi ali que o rapaz começou a preparar aquilo que ninguém no Brasil imaginava, um plano que ia fazer o país todo gargalhar durante 10 anos.
E foi no ano de 1992 que aquele personagem apareceu pela primeira vez na tela da televisão brasileira, a drag queen mais famosa da história do humor do Brasil, aquela que ia virar marca registrada do rapaz negro dentro de poucos meses e que ia mudar para sempre a forma como o país olhava para uma travesti na TV.
O programa era A Praça É Nossa, do SBT, de Silvio Santos. Vera Verão sentava no banco velho da praça com Carlos Alberto de Nóbrega bem ao lado e soltava um bordão que ninguém no Brasil esqueceu até hoje. Duas palavras que fizeram o país todo cair na gargalhada nas noites de quinta-feira. “Epa, bicha não!” O bordão que Jorge falava com a voz aguda da Vera Verão fazia a família toda parar dentro da sala.
Uma frase que virou marca registrada do rapaz de Nilópolis em dois meses de programa. Um gatilho maldoso que fazia o público brasileiro sair da poltrona para rir alto nas casas do interior. Mas, antes de virar aquela drag do banco da praça, Jorge já tinha feito muita coisa dentro da televisão brasileira e foi ali que ele descobriu que tinha talento para outra coisa além da dança. Um caminho que ninguém do Brasil esperava daquele rapaz negro da Baixada Fluminense e que o levaria para o topo do humor nacional em uma década.
Encarnou o bailarino cômico no Viva o Gordo, de Jô Soares, por três anos. Fez o Bob Bacalhau na Sassaricando da Globo em 87 e virou o soldado Divino nos Trapalhões de Renato Aragão em 90. Cada personagem construiu um pedaço da drag que ninguém no Brasil imaginava. E foi na TV Manchete que ele fez o papel mais forte antes de virar drag queen dentro do SBT.
Interpretou o lendário Madame Satã na novela Kananga do Japão em 89. O malandro travestido do carnaval carioca. Um preparo cruel para o personagem que ia mudar tudo depois dentro da vida do artista. E quando aquele programa estreou em 92, foi um estouro que ninguém no Brasil esperava. Milhões de pessoas paravam na frente da televisão para ver a Vera Verão do banco velho, uma personagem que os brasileiros não conseguiam parar de imitar dentro das casas do interior.
Um fenômeno brutal que atravessou as classes sociais do país todo em poucos meses. Mães brasileiras que nunca tinham visto uma drag na vida começaram a repetir o bordão dentro das cozinhas. Crianças imitavam a Vera Verão na hora do recreio das escolas do interior. E Jorge virou o rapaz negro mais famoso do humor brasileiro em dois anos de trabalho no SBT.
Um sucesso brutal que ninguém esperava daquela figura do banco. Mas o que os brasileiros não sabiam era que, atrás daquele bordão feliz da tela, havia uma vida dupla escondida do público, uma vida cheia de amantes famosos e segredos guardados dentro da mala do artista. Segredos que iriam virar um livro maldoso em 1999 e que iriam fazer o país todo parar de rir do rapaz de Nilópolis.
Mas, antes de descobrir tudo o que estava dentro daquele livro maldoso da Vera Verão, a gente precisa entender o que aconteceu antes. Em 1995, o rapaz de Nilópolis estava em todos os cantos do Brasil, nas casas do interior, nas escolas e nas rádios do país todo. Um menino negro da Baixada Fluminense em que ninguém do meio artístico apostava um centavo no começo de sua carreira.
A Praça É Nossa passou a ir ao ar três noites por semana no SBT de Silvio Santos: quinta e sexta-feira, mais o sábado do brasileiro comum. Milhões paravam a vida na frente da televisão para ver a Vera Verão do banco velho soltar o bordão daquela vez. E foi ali que Gugu Liberato chamou o rapaz para o Domingo Legal do SBT em 97.
Vera Verão começou a fazer entrevistas no Piscinão de Ramos com o povão do Rio de Janeiro e o rapaz de Nilópolis virou o rosto mais requisitado do horário nobre da emissora. Aparecia na tela do Brasil cinco dias por semana no fim daqueles anos 90. E foi ali, dentro daquela caderneta velha do apartamento carioca, que Jorge Lafond guardava os nomes.
Cantores paulistas, atores da Globo e políticos do Congresso Nacional. Uma lista arrepiante que ninguém no Brasil imaginava atrás da drag do banco velho da praça. Jorge Lafond nunca escondeu do meio artístico que era homossexual naqueles anos 90. Uma coragem brutal para um homem negro brasileiro daquela época preconceituosa. Mas o que ninguém sabia era com quem ele se relacionava por trás daquele mundo de famosos do país.
E foi no ano de 1999 que o rapaz decidiu fazer uma coisa arrepiante: contratou uma editora do Rio de Janeiro e sentou-se no apartamento durante o outono brasileiro para escrever uma autobiografia que ninguém no Brasil esperava daquela drag do banco velho e que ia sacudir o país todo em poucas semanas de repercussão. Mas foi ali que uma bomba maldosa apareceu dentro do meio artístico brasileiro daquele ano.
Jorge Lafond ameaçou colocar no livro os nomes de todos os famosos com quem ele tinha se relacionado. Uma coisa na qual ninguém do país acreditava até ver os primeiros trechos do texto vazando para a imprensa. O meio artístico brasileiro entrou em pânico dentro daquela mesma semana da ameaça. Do Rio de Janeiro a São Paulo, os famosos começaram a se preocupar com o próximo trecho vazado.
Ninguém sabia se o seu nome ia aparecer dentro daquele livro da Vera Verão. E foi ali que começaram a chegar telefonemas ao apartamento de Jorge Lafond, no Rio. Advogados de famosos ligando para pressionar o artista durante aquela semana arrepiante. Empresários dos maiores nomes do país oferecendo dinheiro para o rapaz calar a boca sobre os segredos.
Mas o rapaz de Nilópolis falou para a imprensa que nenhum centavo ia comprar o seu silêncio no livro. E foi no meio de todos os famosos ameaçados que apareceu um nome que ninguém no Brasil esperava: um jogador da seleção brasileira que tinha se relacionado com Vera Verão pouco antes da Copa de 1998. Era jogador da defesa daquele time do Brasil nos anos 90.
Um homem casado com filhos e família tradicional dentro do bairro rico onde morava. Ídolo nacional daquele futebol brasileiro, um dos nomes mais amados de todo o país naquela década arrepiante. O relacionamento com o famoso aconteceu poucas semanas antes do embarque da seleção, quando o time viajou para tentar o pentacampeonato dentro do Stade de France e chegou à final derrotada pela França de Zidane por 3 a 0.
Um jogo maldoso em que o Brasil todo sofreu na frente da televisão daquele julho arrepiante. Mas Jorge Lafond nunca revelou o nome do jogador da seleção, nem no livro que saiu naquele mesmo ano de 99, nem nas entrevistas que deu depois para a imprensa brasileira. Um segredo maldoso que ele levou para a cova do cemitério de Irajá.
O Brasil todo começou a especular quem seria o jogador daquela seleção. Vários nomes do time da Copa de 98 foram lembrados nas fofocas das revistas do país. Nenhum dos leitores conseguia decifrar o mistério maldoso da Vera Verão. E até hoje ninguém no Brasil sabe quem era aquele famoso da defesa.
Mas o livro apareceu nas livrarias do país naquele mesmo ano. Vera Verão: Bofes e Babados, uma autobiografia arrepiante que virou best-seller dentro de 3 meses de lançamento e que fez os leitores comprarem para ler os segredos do rapaz negro de Nilópolis. Mas quem chegou até o fim ficou com uma decepção maldosa depois de virar a última página.
Contudo, o livro não foi a única polêmica de Jorge Lafond nos anos 90. Uma coisa aconteceu dentro do Ministério da Saúde em 2001 e que fez a comunidade LGBT do país se virar contra o rapaz em poucos dias. O Ministério da Saúde convidou Jorge Lafond para participar de uma campanha de prevenção a doenças sexuais naquele mesmo ano.
O rapaz vestiu a Vera Verão e apareceu na propaganda do governo brasileiro. Uma coisa que os movimentos LGBT do país todo consideraram um estereótipo maldoso da comunidade e que ninguém imaginava que ia atrapalhar o artista dentro daquela semana arrepiante. O Grupo Gay da Bahia e o Grupo de Gays Negros da Bahia se posicionaram contra o rapaz naquela mesma semana.
Duas das principais organizações do movimento gay do Brasil, no ano de 2001, alegaram que Vera Verão era um estereótipo homofóbico que humilhava a comunidade dentro da televisão e pediram que o governo tirasse a propaganda do ar em poucos dias. Mas foi ali, no ano de 2002, que uma coisa arrepiante aconteceu com o rapaz de Nilópolis.
Silvio Santos e a diretoria do SBT vetaram Jorge Lafond do reality show mais famoso da emissora, Casa dos Artistas 2. Uma proibição maldosa que nenhum brasileiro esperava naquele ano cruel. Milhões de fãs já tinham votado em Jorge pelo telefone da emissora naquele ano.

Ele era o mais votado de todo o país para entrar no reality daquele 2002, mas a diretoria decidiu cortar o rapaz sem explicação nenhuma para a imprensa brasileira. Uma humilhação maldosa da qual Vera Verão nunca iria esquecer em toda a sua vida e que ele contou em uma entrevista arrepiante ao Fantástico da Rede Globo.
E foi ali, no mesmo ano, que uma coisa muito pior estava para chegar na vida de Jorge Lafond, uma humilhação que iria acontecer no palco do Domingo Legal, do SBT, e que ia acabar com a saúde do rapaz de Nilópolis em dois meses de dor. Uma humilhação que ninguém no Brasil ia esperar daquele padre famoso do país. Era domingo, 10 de novembro de 2002.
Jorge Lafond acordou dentro de seu apartamento carioca cedo da manhã, vestiu a peruca amarela da Vera Verão e pegou o táxi para o aeroporto do Rio de Janeiro, sem saber que aquela viagem para São Paulo ia acabar com a saúde dele em dois meses de dor cruel. Vera Verão tinha sido convidada para o Domingo Legal de Gugu Liberato daquela mesma tarde, num quadro chamado Homens x Mulheres, que dividia os famosos em duas equipes.
E o rapaz de Nilópolis chegou dentro do estúdio paulista pouco antes de as gravações começarem. Jorge Lafond escolheu ficar no time das mulheres daquele quadro do Domingo Legal, uma coisa que ele já tinha feito outras vezes no SBT de Silvio Santos ao longo daqueles anos e que ninguém do estúdio imaginava que ia dar problema naquela tarde paulista.
Uma decisão comum para o rapaz que fazia a drag queen mais amada do humor brasileiro. Mas foi ali que o padre Marcelo Rossi apareceu no estúdio para apresentar uns minutos do Domingo Legal daquela tarde, o padre mais famoso do Brasil naquele começo dos anos 2000. E foi ali que uma coisa arrepiante começou a acontecer no meio do palco.
Uma coisa que nenhum dos brasileiros comuns esperava daquele domingo paulista. O padre Marcelo Rossi tinha explodido na televisão brasileira naquele ano de 2002. As missas dele enchiam estádios de futebol pelo país todo, com discos religiosos que vendiam milhões nas lojas do Brasil.
E as famílias católicas paravam tudo para ver o padre na tela de casa. E foi ali que o homem mais amado da religião católica se viu no mesmo palco que a drag queen mais adorada do humor brasileiro. Uma cena que nenhum funcionário do SBT esperava ver naquela tarde do dia 10 de novembro: um religioso ao lado da Vera Verão, do banco velho da praça.
Mas foi ali que o padre Marcelo Rossi fez uma coisa que ninguém no palco esperava naquele domingo. Pediu para que Jorge Lafond fosse retirado do quadro do Domingo Legal na frente das câmeras do SBT. Uma humilhação cruel que atravessou a televisão brasileira em poucos minutos.
Um pedido religioso que ninguém dos famosos tinha visto antes no meio artístico do país. Jorge Lafond saiu do palco do Domingo Legal caladinho, na frente de milhões de brasileiros, vestido como a Vera Verão que o país todo amava desde os anos 90. E foi ali que o rapaz descobriu que o padre mais amado da religião não queria ficar ao lado de uma drag negra na televisão.
Uma cena arrepiante que passou naquela tarde de domingo no SBT, em 2002. O rapaz de Nilópolis foi para o camarim do estúdio sem falar uma palavra com ninguém da emissora. Sentou-se dentro daquela sala pequena, onde ninguém do público ia ver o que estava para acontecer, e começou a chorar caladinho na frente do espelho velho da parede.
Uma cena da qual os funcionários do Domingo Legal nunca esqueceram. E foi ali, dentro daquele mesmo camarim, que ele soltou uma frase da qual ninguém no Brasil iria se esquecer sobre o padre Marcelo Rossi. Uma fala que virou manchete dos jornais brasileiros na mesma semana da humilhação no SBT e que mostrou o tamanho do estrago que o padre católico fez dentro do coração do rapaz de Nilópolis: “Me magoou muito. Se eu tivesse mandado ele para aquele lugar, eu não estaria estressado como ainda estou.”
As palavras arrepiantes que Jorge Lafond deu para a imprensa do Brasil naquela semana. Um recado direto para o homem mais amado da religião católica do país. Amigos do artista tentaram acalmá-lo nos dias que vieram depois da humilhação no SBT.
Empresários do meio artístico ligaram para dar apoio a Vera Verão, mas o rapaz de Nilópolis não conseguia dormir em seu apartamento carioca, e sua pressão arterial começou a subir sem parar durante aquela semana cruel. Foi ali, no dia 17 de novembro de 2002, que a saúde piorou para Jorge Lafond.
Sete dias depois da humilhação do padre Marcelo Rossi. O rapaz de Nilópolis foi levado para o pronto-socorro com uma crise arrepiante de pressão alta. Ele ficou internado naquela ala do hospital durante uns dias de dor. Os médicos falaram para a imprensa que a pressão do artista estava fora de controle naquele leito.
Uma situação cruel que ninguém do meio artístico esperava daquele homem negro, forte do carnaval carioca, e que fez os amigos dele do samba correrem para visitar Vera Verão naquela semana arrepiante. Jorge Lafond recebeu alta naquele mesmo mês de novembro e voltou para o apartamento no Rio. Mas a saúde do rapaz não melhorouqueles dias de dezembro de 2002. A dor da humilhação do padre continuava presa na alma do artista de Nilópolis.
E a pressão arterial não parava de subir todos os dias daquele mês frio em sua vida. Foi ali, no dia 28 de dezembro, que uma coisa arrepiante aconteceu com Jorge Lafond. O rapaz foi internado no hospital Sepaco, na Vila Mariana, em São Paulo, e ninguém do meio artístico brasileiro imaginava que aquela seria a última internação da vida dele.
Uma passagem pelo leito paulista que iria durar 14 dias cruéis, até a madrugada de janeiro. A depressão do rapaz de Nilópolis piorou naquela mesma cama de hospital. Os rins do artista começaram a falhar na primeira semana daquele dezembro, e o coração deu sinais de fraqueza nos plantões dos médicos do Sepaco.
Um quadro clínico brutal que ninguém do meio artístico brasileiro imaginava naquele momento cruel. E foi ali que os amigos de Jorge Lafond começaram a visitar o hospital paulista todos os dias: empresários do meio artístico e pessoas do samba do Rio de Janeiro, além de Marcelo Padula, que era o companheiro do rapaz de Nilópolis há 20 anos.
Um homem que iria ficar do lado do artista até o último suspiro. Foi no dia 11 de janeiro de 2003, à 1:40 da madrugada, que o coração de Jorge Lafond parou naquele leito do Sepaco. Infarto fulminante, mais falência múltipla de órgãos do rapaz de Nilópolis. Aos 50 anos de idade, dois meses depois da humilhação do padre Marcelo Rossi no Domingo Legal do SBT. Uma morte arrepiante que sacudiu o Brasil inteiro naquela madrugada.
O corpo da Vera Verão foi embalsamado em Guarulhos naquele mesmo dia e transferido para o Rio de Janeiro horas depois da morte do artista. O velório aconteceu no cemitério de Irajá, na zona norte carioca. E foi ali que Carlos Alberto de Nóbrega, de A Praça É Nossa, fez uma homenagem doída na frente das câmeras da emissora paulista: “Vai com Deus, vou sentir muita falta sua.”
Mas foi ali, naquele cemitério de Irajá, que uma coisa muito pior estava para acontecer com Jorge Lafond. Um crime arrepiante que ninguém no Brasil iria descobrir por 15 anos após aquela morte, e que sacudiria o meio artístico brasileiro em 2018.
Uma verdade doída que iria deixar o marido do rapaz de Nilópolis sem chão diante do jazigo do artista. Mas, para entender o que Marcelo Padula encontrou dentro daquele cemitério de Irajá em 2018, a gente precisa voltar 15 anos, para o dia mesmo do enterro de Jorge Lafond, em janeiro de 2003, quando o empresário paulista ficou plantado em frente à terra fresca do jazigo, sem saber que sua vida iria virar um inferno nos anos seguintes.
Marcelo Padula era o companheiro de Jorge Lafond há 20 anos, um empresário paulista que cuidava dos negócios do rapaz de Nilópolis e morava com ele no apartamento carioca desde o começo dos anos 80. Um homem que abriu mão de sua própria vida para cuidar do sucesso do rapaz negro da Baixada.
O relacionamento dos dois era discreto para o público brasileiro daquele tempo cruel. Jorge Lafond assumia a homossexualidade, mas nunca falava de Marcelo Padula publicamente durante aquelas duas décadas de vida em comum. Uma coisa típica no Brasil dos anos 80 e 90, quando o assunto ainda era tabu no meio da televisão.
E Padula preferia ficar nos bastidores da carreira do artista. O empresário cuidava de tudo o que Jorge Lafond precisava no apartamento carioca: pagava as contas do mês, fechava os acordos com os advogados do SBT e administrava o dinheiro da Vera Verão.
Ele era o homem mais próximo do rapaz de Nilópolis no mundo dos famosos dos anos 90. Mas, depois do enterro de Jorge Lafond, Marcelo Padula começou a viver uma coisa arrepiante dentro do apartamento vazio no Rio. Um problema com o dinheiro do rapaz de Nilópolis, algo que mudaria para sempre a vida do empresário ainda naquele ano de 2003, e que nenhum dos amigos da Vera Verão imaginava que iria atrapalhar tanto o viúvo do artista.
Jorge Lafond tinha ganhado muito dinheiro em 10 anos como Vera Verão no SBT. O rapaz de Nilópolis era um dos artistas mais bem pagos do humor brasileiro no começo dos anos 2000 e havia guardado uma fortuna em bancos do Rio de Janeiro para a família dele. Uma renda que ele suou para conseguir durante três décadas de trabalho na televisão.
E foi ali que o rapaz também fez um seguro de vida no valor de R$ 400.000. Um valor alto para o começo dos anos 2000 no Brasil, que serviria para proteger seu companheiro depois da morte dele. Uma quantia que hoje em dia daria para comprar um apartamento grande na zona sul carioca.
O beneficiário daquele seguro era Marcelo Padula, o companheiro que morava com o rapaz de Nilópolis nos últimos 20 anos da sua vida. Uma pessoa que tinha o direito legal de receber os R$ 400.000 após a morte do artista, um direito que estava escrito no contrato do banco do Rio.
E o testamento do rapaz de Nilópolis também deixava tudo para Marcelo Padula: toda a fortuna da Vera Verão e os móveis do apartamento carioca, além dos direitos autorais do livro Bofes e Babados de 1999. Uma vontade que o artista havia escrito à mão no escritório dos advogados no Rio. Mas foi ali que algo arrepiante aconteceu com o dinheiro de Jorge Lafond ainda naquele ano de sua morte.
Um problema que Marcelo Padula descobriu 30 dias após o enterro do rapaz, e que sacudiria o país nos anos seguintes. Uma verdade que Sonia Abrão e o Fofocalizando iriam contar 15 anos depois. Marcelo Padula foi até a seguradora na capital paulista naquele mesmo mês, com todos os documentos de Jorge Lafond e o testamento deixado pelo artista.
Achou que sairia da agência com o cheque de R$ 400.000 para pagar as contas do apartamento carioca. E foi ali que descobriu uma coisa arrepiante na seguradora: os R$ 400.000 do seguro de Jorge Lafond já haviam sido sacados. Alguém tinha retirado o dinheiro antes dele.
A atendente da seguradora olhou para o viúvo com cara de espanto. Mas o que fez Marcelo Padula quase cair no chão foi outra coisa arrepiante: quem havia sacado o dinheiro não era o beneficiário do seguro, e sim uma pessoa desconhecida. Uma pessoa que ninguém da família do artista imaginava que trairia Vera Verão de forma tão cruel.
Uma pessoa próxima a Jorge Lafond tinha ido até a seguradora paulista nos primeiros dias após a morte do artista com uma procuração falsa nas mãos, e havia retirado os R$ 400.000 sem a autorização de Marcelo Padula. Alguém em quem Vera Verão confiara em seus últimos anos de vida.
Marcelo Padula saiu da seguradora sem saber o que fazer com aquela informação. O dinheiro do seu companheiro sumira no bolso de um desconhecido. A polícia disse que investigaria o caso, uma promessa que nunca cumpriram.
Então Marcelo Padula entrou com um processo na justiça paulista contra o autor do saque. Um advogado famoso cuidou do caso e prometeu recuperar os R$ 400.000 em pouco tempo. Um processo que iria demorar 15 anos sem chegar a lugar nenhum. A investigação da polícia sobre o saque foi cheia de interrogatórios com pessoas do círculo de Vera Verão, mas ninguém conseguia entender quem havia ficado com o dinheiro.
Um mistério doloroso que atravessou os anos de 2003 em diante. Mas a investigação paulista parou, e o caso do saque ficou engavetado. Marcelo Padula ficou sem receber os R$ 400.000 nos anos seguintes. Uma injustiça que atravessou a década e que o empresário carregou até o fim da vida.
Padula nunca se esqueceu do saque do seguro. Guardou a mágoa e acreditava que a verdade apareceria um dia, uma verdade que ele mesmo descobriria no cemitério de Irajá.
Quinze anos se passaram sem resposta da polícia. E o empresário continuou visitando o cemitério em todos os aniversários da morte do rapaz de Nilópolis, sozinho diante do jazigo do Vera Verão.
E foi no ano de 2018, no mês de setembro, que Marcelo Padula foi visitar o cemitério de Irajá numa manhã cinzenta de domingo, sem saber que aquele dia mudaria sua vida e que ele descobriria algo muito pior do que o saque do seguro. Uma verdade que sacudiria o Brasil.
Chegou ao cemitério de Irajá com um buquê de flores brancas nas mãos e parou na frente do túmulo. E foi ali que Marcelo Padula viu uma coisa que ninguém no Brasil ia esquecer sobre o jazigo de Jorge Lafond. O empresário notou algo estranho: a tampa do túmulo tinha marcas de arrombamento, manchas cruéis que os funcionários do cemitério não haviam notado.
O viúvo procurou o zelador e pediu para que abrissem o jazigo na frente dele. O funcionário, após buscar os documentos necessários, autorizou a abertura. E quando os funcionários abriram a tampa, Marcelo Padula quase caiu no chão. O caixão importado da Vera Verão tinha sumido do túmulo.
O modelo de R$ 5.000, importado dos EUA, havia desaparecido. E não foi apenas o caixão que sumiu: os ossos do Vera Verão também desapareceram sem deixar rastro.
E a descoberta não acabou aí. As joias que Jorge Lafond usava na noite do enterro também sumiram. Mais de R$ 10.000 em joias de ouro e prata tinham desaparecido do jazigo, um valor alto que a família havia deixado no caixão. Além disso, um pacote de oferendas do Candomblé também sumiu, uma oferta sagrada que Jorge Lafond havia pedido em vida.
Alguém havia entrado no jazigo nos últimos anos e levado tudo. Marcelo Padula ligou para a apresentadora Sonia Abrão da RedeTV! naquela semana para contar a descoberta, e depois foi ao Fofocalizando no SBT, um dos programas de fofoca mais assistidos do Brasil.
“É crime profanar um túmulo”, disse ele para a imprensa. A notícia virou manchete em todos os jornais do Brasil. O país inteiro ficou em choque com a descoberta no cemitério de Irajá, e vários famosos pediram justiça para Jorge Lafond.
Marcelo Padula também acusou a Rio Pax, administradora do cemitério de Irajá, por negligência. Ele acreditava que o crime ocorrera na gestão da nova empresa paulista. Marcelo abriu uma denúncia na prefeitura do Rio contra a Rio Pax e pediu investigação policial. O gabinete do prefeito formou uma comissão, mas a investigação não chegou a lugar nenhum. E antes que a justiça fosse feita, Marcelo Padula sofreu um infarto e morreu em fevereiro de 2020.
Foram dois anos de luta sozinho. Mas a justiça virou as costas para ele. A polícia carioca fechou o caso poucos meses depois, sem descobrir quem entrou no jazigo. A Rio Pax negou a negligência e culpou ladrões locais. Padula enfrentou 15 anos guardando a dor do saque e do sumiço da ossada, até que o coração falhou.
O empresário paulista foi enterrado num cemitério carioca e se reuniu com Jorge Lafond no outro mundo. O mistério sobre quem sacou os R$ 400.000 do seguro e quem profanou o túmulo ficou sem resposta no Brasil.
Jorge Lafond morreu duas vezes no Brasil: uma vez no leito do Sepaco, em janeiro de 2003, e outra vez no cemitério de Irajá, em 2018. Mas o rapaz negro da Baixada Fluminense deixou o legado de Vera Verão, que fez o Brasil rir por 10 anos. Ele foi um pioneiro e merecia uma vida melhor.
Agora, conte para mim nos comentários: você lembra da Vera Verão em “A Praça É Nossa”? Escreva o seu bordão preferido de Jorge Lafond e qual foi sua reação a esta história doída do cemitério de Irajá. Até a próxima história. Cuide bem de você. Siga a página. E lembre sempre que os famosos do Brasil também são pessoas comuns.