Reviravolta No Caso Família Aguiar: Sangue Das Vítimas É Confirmado Pela Perícia, Posse De Imóveis Gera Revolta E Desmanche De Carro Vem À Tona
A confirmação científica que desmonta qualquer dúvida
Uma virada decisiva marca o caso que abalou a Vila Anair, no município de Cachoeirinha. As autoridades policiais e a equipe do Instituto Geral de Perícias alcançaram o elemento mais contundente de toda a apuração técnica. As manchas biológicas recolhidas no dia 5 de fevereiro na residência de Silvana Guerman Aguiar passaram por testes conclusivos de DNA, trazendo a certeza de que as gotas de sangue encontradas pertencem exatamente a Silvana e ao seu pai, Isaí Aguiar.
O material genético estava espalhado em dois pontos estratégicos do imóvel: uma das amostras foi localizada na área externa do pátio dos fundos da residência, enquanto a outra foi detectada no interior de um banheiro nos fundos do terreno. A ciência forense confirma agora a suspeita de que aquele endereço residencial serviu como cenário direto de agressões fatais, destruindo teses vazias e fechando o cerco probatório contra os envolvidos na tragédia.
O inquilino do passado e a abordagem estarrecedora ao menino
Um dos episódios mais assustadores desse mistério ocorreu no dia 18 de fevereiro, quando um indivíduo foi capturado por agentes de segurança após interceptar o filho de 9 anos de Silvana e do policial militar Cristiano Domingues Francisco. Naquela ocasião, a criança estava em via pública na companhia da avó paterna quando o homem se aproximou abruptamente e proferiu palavras frias ao garoto, dizendo que o pai dele havia tirado a vida da própria mãe.
O que parecia uma atitude aleatória de provocação ganhou contornos muito mais sérios com as apurações recentes da reportagem. Descobriu-se que o autor da abordagem era um antigo morador que alugava um dos imóveis pertencentes ao acervo imobiliário de Silvana. A conduta gerou prisão imediata na época, expondo o nível de perturbação e a rede de tensões que cercava o cotidiano das propriedades da vítima logo após o sumiço dos moradores.
A disputa pelo patrimônio milionário e a tomada das chaves
A herança da família Aguiar representa um patrimônio vasto, estimado em cerca de 4 milhões de reais somente em imóveis urbanos e residenciais na região metropolitana. Em meio ao desaparecimento das três pessoas, um detalhe provocou indignação generalizada entre aqueles que acompanham a persecução criminal.
A casa que pertencia exclusivamente a Silvana, antes alugada para o antigo inquilino, acabou sendo ocupada por Milena Rupenthal Domingues, atual companheira do policial militar detido, e por Wagner Domingues, irmão do agente de segurança. A posse desse imóvel residencial da vítima por parentes e aliados diretos do principal suspeito gerou profunda perplexidade, levantando questionamentos éticos e jurídicos sobre a apropriação de bens de uma pessoa cujo paradeiro sequer havia sido esclarecido oficialmente pelos órgãos de estado.
A pista secreta sobre o destino do veículo Fox vermelho
O mistério sobre o paradeiro do automóvel Fox de cor vermelha, de propriedade do policial militar Cristiano Domingues Francisco, tornou-se uma das maiores obsessões dos policiais civis da comarca. Ao longo das buscas, equipes vasculharam áreas rurais e chegaram a cogitar que o condutor tivesse afundado o carro no leito de algum lago da região de Gravataí ou Cachoeirinha. Contudo, relatos exclusivos obtidos junto a fontes do setor policial apontaram uma nova linha de checagem.
A apuração revela que os irmãos Cristiano e Wagner mantinham relação de amizade com o proprietário de uma loja de materiais de construção, indivíduo que também operava um serviço de guincho e uma oficina voltada ao desmanche de veículos automotores. A suspeita é de que essa estrutura particular tenha sido utilizada para desmontar clandestinamente a lataria, destruir a numeração e ocultar todas as peças do veículo para evitar vistorias periciais das forças de segurança.
A reconstrução cronológica dos últimos passos no final de semana fatal
O cruzamento de imagens de câmeras de monitoramento urbano e relatos de testemunhas permitiu aos policiais civis traçar a cronologia do ataque. No sábado, dia 24 de janeiro, Silvana Guerman Aguiar teria sido surpreendida e morta dentro de sua própria residência, exatamente no período em que automóveis ligados a ela e ao policial militar foram flagrados entrando e saindo do portão da casa.
Já no domingo seguinte, o senhor Isaí Aguiar, proprietário do minimercado da família, esteve pela manhã com sua esposa, Dalmira, na delegacia local para tentar comunicar o sumiço da filha, encontrando o posto fechado. Horas mais tarde, por volta das 14 horas, Isaí foi resgatado pelo genro no estabelecimento comercial e levado diretamente para o imóvel de Silvana. Foi nesse local e horário que os peritos situam o assassinato de Isaí, fato corroborado pela presença de seu sangue no terreno.
O enigma do paradeiro de dona Dalmira e a ausência de vestígios
Enquanto as provas biológicas e a perícia de solo apontam com precisão o que aconteceu com Silvana e Isaí na casa da Vila Anair, a situação de dona Dalmira Aguiar permanece como o maior ponto de interrogação dos autos. Naquele mesmo domingo de janeiro, o suspeito teria utilizado o veículo de Milena Rupenthal Domingues para buscar o casal de idosos. A reconstituição indica que Dalmira foi conduzida inicialmente para a residência da mãe de Cristiano, onde teria ocorrido uma ríspida discussão presenciada por vizinhos e gravada por câmeras externas, enquanto o marido dela era levado para o outro endereço.
O fato de nenhum vestígio de sangue de Dalmira ter sido identificado no pátio ou no banheiro dos fundos reforça a convicção técnica de que ela foi executada em um local totalmente distinto. Saber onde a idosa foi morta e descobrir onde estão ocultados os corpos das três vítimas segue desafiando as equipes de resgate.

A conclusão iminente do inquérito e o cerco probatório final
Sob a coordenação do delegado Anderson Spier, o inquérito policial alcançou a marca de setenta e duas horas para o seu fechamento formal e envio à apreciação do Poder Judiciário e do Ministério Público. Mesmo sem a recuperação dos restos mortais dos três membros da família Aguiar, as normas processuais brasileiras conferem validade integral a condenações por crimes dolosos contra a vida quando amparadas em um mosaico probatório robusto.
As amostras de sangue atestadas pelo Instituto Geral de Perícias, as incoerências de álibis desmontadas, a posse de telefones das vítimas e a movimentação nos imóveis fornecem os alicerces necessários para o indiciamento formal de Cristiano Domingues Francisco por feminicídio e duplo homicídio. A expectativa da sociedade agora recai sobre a coletiva oficial das autoridades, aguardando o momento em que a justiça fechará o capítulo da impunidade e exigirá a punição exemplar para todos os envolvidos nessa tragédia.