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Enforcada por um crime que não cometeu | Reyhaneh Jabbari

CONDENADA À MORTE APÓS TENTAR SE DEFENDER: O CASO DE REYHANEH JABBARI QUE CHOCOU O MUNDO E AINDA LEVANTA PERGUNTAS

 

Ela tinha apenas 19 anos, estudava, trabalhava como designer de interiores e acreditava estar indo visitar um imóvel para avaliar um possível projeto profissional. Horas depois, sua vida estava destruída. Reyhaneh Jabbari sairia daquele apartamento desesperada, carregando consigo uma história de medo, uma faca e a certeza de que nada voltaria a ser como antes. O homem que estava no imóvel morreria pouco depois. Ela seria presa na mesma madrugada. E aquele episódio acabaria levando uma jovem iraniana a passar sete anos atrás das grades, aguardando uma execução que mobilizaria pessoas e organizações de direitos humanos dentro e fora do Irã.

 

Tudo começou em 2007, em Teerã. Reyhaneh vivia com os pais e duas irmãs mais novas. Gostava de desenhar desde jovem e acabou transformando essa paixão em interesse profissional pelo design de interiores. Enquanto conciliava estudos e trabalho, recebeu uma oportunidade que, à primeira vista, parecia absolutamente comum.

Durante uma parada em uma sorveteria, enquanto conversava ao telefone sobre um projeto, dois homens ouviram parte de sua conversa e se aproximaram. Um deles era Morteza Abdolali Sarbandi, de 47 anos, casado, pai de família e ex-funcionário do governo iraniano. Ao descobrir que Reyhaneh trabalhava com design, ele afirmou possuir um imóvel que pretendia transformar em consultório e perguntou se ela teria interesse em avaliar o espaço.

MEK Iran: Reyhaneh's Execution – Supporters of MEK Iran

Nada naquele primeiro contato parecia anunciar o pesadelo que viria depois.

Reyhaneh entregou seu contato profissional. Nos dias seguintes, Morteza voltou a procurá-la. Os dois conversaram sobre o suposto projeto e combinaram que ele a levaria ao imóvel para que ela pudesse tirar medidas, observar os cômodos e preparar uma proposta.

No dia 7 de julho de 2007, Morteza foi buscá-la. Durante o trajeto, outro homem, identificado no relato como conhecido dele, também esteve no carro por algum tempo. Em determinado momento, esse segundo homem desceu, e Reyhaneh continuou sozinha com Morteza.

 

Antes de chegarem ao apartamento, ele fez uma parada em uma farmácia.

Esse detalhe só ganharia uma dimensão assustadora posteriormente.

Segundo as informações apresentadas no caso, Morteza teria comprado preservativos e um medicamento com efeito sedativo. Reyhaneh, naquele momento, não sabia de nada. Para ela, continuava sendo apenas uma visita profissional.

 

Quando chegaram ao endereço, porém, as primeiras dúvidas começaram.

O imóvel não tinha a aparência de um consultório prestes a ser reformado. Parecia abandonado, coberto de poeira e sem sinais claros de utilização cotidiana. Mesmo assim, Reyhaneh iniciou o trabalho. Tirou medidas, fez anotações e circulou pelos cômodos enquanto Morteza permanecia na sala.

Antes disso, ele havia trazido dois copos de suco.

 

Reyhaneh recusou-se a beber imediatamente, dizendo que tomaria depois.

Essa decisão se tornaria um dos pontos mais perturbadores de toda a história.

Mais tarde, segundo o material do caso, análises indicariam a presença de substâncias sedativas no líquido que ela não bebeu. Também seriam encontrados preservativos no apartamento. Para a defesa de Reyhaneh, aqueles elementos reforçavam a narrativa de que ela havia sido atraída até ali sob um falso pretexto profissional.

 

Mas o momento mais dramático ainda estava por acontecer.

Depois de terminar as medições, Reyhaneh voltou para a sala e percebeu que a porta, antes aberta, estava fechada. Um lençol teria aparecido sobre o sofá. Ela sentiu que alguma coisa estava errada.

Então Morteza mostrou os preservativos.

 

Segundo o relato de Reyhaneh, ele teria deixado claro que ela não sairia dali quando quisesse.

A jovem entrou em pânico.

Ela tentou alcançar a porta, mas percebeu que estava trancada. Morteza teria avançado sobre ela e agarrado seu pescoço. Reyhaneh conseguiu se afastar e procurou desesperadamente alguma coisa com que pudesse se defender.

 

Sobre uma mesa havia talheres.

Ela pegou uma faca.

Ainda segundo a versão apresentada pela jovem ao longo do processo, ela implorou para que Morteza a deixasse sair. Teria mencionado inclusive o tapete de oração que havia visto no apartamento, tentando convencê-lo a reconsiderar o que estava fazendo.

 

Nada funcionou.

Em meio à tensão, Reyhaneh desferiu um golpe no ombro direito de Morteza.

Ele caiu.

Ela correu em direção à porta.

 

O que aconteceu nos minutos seguintes se transformaria em uma das maiores controvérsias do processo.

Sem conseguir abrir imediatamente a saída, Reyhaneh teria tentado mexer na fechadura usando a própria faca. Foi então que o segundo homem apareceu no apartamento com uma chave.

Assim que teve oportunidade, ela fugiu.

 

Desceu em direção ao elevador e depois às escadas, temendo ser alcançada. Em determinado momento, ouviu Morteza gritando por socorro e chamando alguém de “ladrão”. Ela também teria visto o outro homem deixando o apartamento rapidamente, carregando documentos nas mãos.

Pouco depois, já no térreo, Reyhaneh telefonou anonimamente para o serviço de emergência.

Morteza foi encontrado ferido. Um rastro de sangue seguia do apartamento até as escadas. Ele recebeu atendimento, mas morreu antes de chegar ao hospital.

 

 

Horas depois, a polícia chegou até Reyhaneh por meio dos registros telefônicos de Morteza.

Ela foi presa.

A faca foi encontrada em sua casa, assim como peças de roupa que apresentavam vestígios de sangue da vítima.

Inicialmente, porém, elementos da investigação pareciam favorecer sua narrativa.

 

Os preservativos foram encontrados. O copo de suco que Reyhaneh afirmava não ter bebido também foi recolhido. Segundo o relato apresentado na fonte, exames detectaram substâncias sedativas na bebida. Um recibo teria ainda permitido identificar a farmácia onde Morteza havia comprado os itens.

Para familiares e apoiadores, parecia existir material suficiente para sustentar a tese de legítima defesa.

Havia, porém, perguntas que permaneceriam sem respostas claras.

ريحانة جابري فتاة إيرانية حكم عليها بالإعدام و نفذ بتاريخ ...

Quantos ferimentos Morteza realmente tinha? O golpe desferido por Reyhaneh teria sido suficiente, sozinho, para provocar a hemorragia fatal? Qual foi exatamente o papel do segundo homem que apareceu no apartamento? Por que Reyhaneh dizia tê-lo visto carregando documentos? E por que os gritos atribuídos a Morteza incluíam a palavra “ladrão”?

A defesa levantaria essas questões durante o julgamento.

O segundo homem, entretanto, tornou-se um dos maiores mistérios do caso.

 

Enquanto isso, Reyhaneh continuava presa.

Segundo sua versão e a de familiares, os primeiros investigadores teriam dado sinais de que a situação poderia ser reconhecida como legítima defesa. Pouco depois, porém, o rumo da investigação mudou drasticamente.

Reyhaneh passou a afirmar que foi submetida a intensa pressão durante os interrogatórios. Segundo o material, ela chegou a assinar uma declaração afirmando que havia comprado a faca antes do encontro.

 

A defesa contestou duramente essa narrativa.

O argumento era simples: não existiria comprovante da suposta compra feita por Reyhaneh, enquanto as compras realizadas por Morteza na farmácia teriam deixado registros verificáveis. Além disso, a faca seria semelhante aos talheres encontrados no próprio imóvel.

Outro elemento usado pela acusação foi uma mensagem enviada pela jovem a uma amiga antes do episódio, na qual dizia, após uma discussão, algo semelhante a: “Estou com tanta raiva que vou matá-lo.”

 

A acusação interpretou a frase como possível indício de premeditação.

A defesa afirmou que a mensagem não se referia a Morteza, mas ao pai de Reyhaneh, com quem ela teria discutido naquele dia.

O julgamento começou em dezembro de 2008.

De um lado, a defesa sustentava que uma jovem havia sido colocada em uma situação de extremo perigo e reagido para escapar. Do outro, a acusação defendia a existência de premeditação e questionava a versão de abuso apresentada por Reyhaneh.

 

Os preservativos, a bebida com substância sedativa e as circunstâncias do encontro ganharam enorme importância.

Mesmo assim, a legítima defesa acabou sendo rejeitada.

Reyhaneh foi considerada culpada e condenada à morte.

A decisão provocou revolta.

 

Sua mãe passou a divulgar a história publicamente, e a repercussão ultrapassou as fronteiras iranianas. Organizações internacionais e ativistas começaram a pedir clemência e uma revisão do caso.

Havia ainda uma última possibilidade.

Pelas regras aplicadas ao processo, a família da vítima poderia conceder perdão, permitindo uma mudança na punição.

Esse perdão não veio.

 

Representada pelo filho mais velho de Morteza, a família manteve a decisão de exigir a aplicação da sentença.

Os anos passaram.

Reyhaneh permaneceu na prisão aguardando o dia em que seria executada.

Foram sete anos.

 

Sete invernos.

Em 25 de outubro de 2014, aos 26 anos, Reyhaneh Jabbari foi executada por enforcamento.

A história, porém, não terminou naquele dia.

Sua morte transformou o caso em um símbolo internacional dos debates sobre direitos das mulheres, violência sexual, legítima defesa, pena de morte e funcionamento do sistema judicial iraniano. A trajetória de Reyhaneh continuou sendo contada por sua família e ganhou ainda mais repercussão anos depois.

 

Em 2023, sua história foi retratada no documentário “Sete Invernos em Teerã”, referência aos sete anos que ela passou presa antes da execução. A produção reuniu registros familiares, imagens, gravações e cartas relacionadas ao período em que Reyhaneh esteve atrás das grades.

Sua mãe também transformou a dor em memória escrita, relatando a luta da família durante os anos de prisão, condenação e tentativa de impedir a execução.

Mais de uma década depois, uma pergunta continua pairando sobre o caso: o que realmente aconteceu dentro daquele apartamento?

 

Para aqueles que defendem Reyhaneh, ela era uma jovem tentando sobreviver a uma situação de violência e acabou pagando com a própria vida por ter reagido. Para o sistema que a condenou, os elementos apresentados foram suficientes para descartar a tese de legítima defesa.

Entre essas duas versões permaneceram um segundo homem, uma bebida que Reyhaneh não tomou, preservativos comprados antes do encontro, uma porta trancada e uma série de dúvidas que jamais desapareceram.

 

Talvez seja justamente por isso que o nome de Reyhaneh Jabbari continue sendo lembrado.

Porque sua história não fala apenas de uma condenação.

Fala de uma jovem de 19 anos que saiu de casa acreditando que estava indo trabalhar e, naquela mesma noite, viu todo o seu futuro desaparecer.

 

Sete anos depois, ela subiria ao local da execução.

Mas aquilo que deveria encerrar definitivamente sua história produziu exatamente o efeito contrário.

O corpo de Reyhaneh foi silenciado.

As perguntas, não.

Disclaimer: This story is fictional and created for entertainment purposes only. Any names, characters, places, or events are fictitious or used fictitiously. No real person or organization is intended to be portrayed.

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