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Caso Cinthia Livia

O CRIME QUE PAROU TIBAU: MENINA SAIU PARA COMPRAR UM DOCE E NUNCA MAIS VOLTOU — CINCO DIAS DEPOIS, UMA DESCOBERTA EM UM POÇO REVELOU UM DOS CASOS MAIS CHOCANTES DO RN

 

Era uma noite aparentemente comum de sábado em Tibau, pequena cidade do litoral do Rio Grande do Norte. Uma menina de apenas 12 anos saiu de casa para realizar algo absolutamente simples: comprar doces em um mercadinho próximo. Ela deveria voltar poucos minutos depois.

Mas Cíntia Lívia de Araújo nunca retornou.

A partir daquele momento, a tranquilidade de uma cidade com poucos milhares de habitantes começaria a ser destruída por uma história que provocaria medo, indignação, revolta popular e, posteriormente, uma sucessão de versões conflitantes sobre os minutos decisivos que antecederam a morte da adolescente.

 

Era 21 de julho de 2012.

Por volta das 19h15, Cíntia deixou sua residência e seguiu até o comércio. Funcionários do estabelecimento confirmariam posteriormente que ela realmente esteve ali, comprou um bombom e estava sozinha.

Até aquele ponto, tudo parecia normal.

Tibau Notícias: POLIANO ASSASSINO DE CINTHIA LÍVIA RESOLVE FALAR COM A  IMPRENSA.

O problema surgiu no caminho de volta.

Cíntia desapareceu em um trajeto extremamente curto, entre o mercadinho e sua própria casa.

Quando as horas começaram a passar e a menina não apareceu, familiares e vizinhos iniciaram buscas desesperadas. Ruas foram percorridas, pessoas foram questionadas e diferentes pontos da cidade começaram a ser vasculhados.

 

Ninguém encontrou qualquer sinal da adolescente.

A pequena Tibau começou a mergulhar em uma atmosfera de tensão.

Ainda durante as primeiras horas, uma informação chamou a atenção: uma caminhonete escura teria sido vista nas proximidades da residência da família.

Como o trecho por onde Cíntia precisaria passar era pouco iluminado, surgiu inicialmente a possibilidade de que ela tivesse sido abordada ou sequestrada no caminho.

 

Mas havia uma pergunta difícil de responder.

Por quê?

A família era descrita como extremamente humilde e, segundo a investigação apresentada no relato, não possuía recursos financeiros para pagar um eventual resgate.

Se aquilo fosse realmente um sequestro, aparentemente o dinheiro não seria a explicação óbvia.

 

As buscas continuaram durante toda a madrugada.

Quando o domingo amanheceu, a família já estava desesperada.

Fotos de Cíntia começaram a circular pelas redes sociais e por veículos de comunicação. O Conselho Tutelar também passou a acompanhar o desaparecimento.

A Polícia Civil foi informada e iniciou as investigações.

 

Vários boatos começaram a surgir.

Cada nova informação representava uma esperança para a família.

Cada telefonema poderia ser a notícia esperada.

Diversas pessoas foram ouvidas. Possíveis pistas foram verificadas. Informações sobre diferentes paradeiros chegaram aos investigadores.

 

Nenhuma delas trouxe Cíntia de volta.

Os dias passavam lentamente.

E o mistério aumentava.

Até que, cinco dias depois do desaparecimento, tudo mudou.

Na manhã de 26 de julho, dois caseiros foram até uma residência localizada na Praia das Emanuelas. O imóvel seria preparado para a chegada de um empresário que pretendia passar o fim de semana no local.

 

Era aproximadamente 7 horas.

Ao acionarem a bomba responsável pelo abastecimento da caixa-d’água, perceberam algo estranho.

Havia um forte odor vindo da água.

Intrigados, decidiram descobrir o que estava acontecendo.

 

Quando a tampa de um poço com aproximadamente três metros de profundidade foi retirada, veio a imagem que transformaria a busca por uma menina desaparecida em uma investigação de homicídio.

Havia um corpo no interior do poço.

A polícia foi chamada imediatamente.

A notícia percorreu Tibau em questão de minutos. Moradores começaram a se aproximar. Familiares chegaram ao local.

 

As roupas encontradas junto ao corpo aumentaram rapidamente o pior temor de todos.

A saia preta seria reconhecida pelos familiares como aquela que Cíntia usava na noite do desaparecimento.

O Corpo de Bombeiros e equipes de perícia foram mobilizados para realizar a retirada.

O estado de decomposição exigia exames detalhados para confirmação formal da identidade e determinação da causa da morte.

 

Mas, segundo as autoridades mencionadas no relato, características físicas e vestimentas já apontavam fortemente para Cíntia.

A cidade que durante cinco dias havia esperado encontrar a menina viva agora enfrentava uma realidade devastadora.

Mas faltava descobrir uma coisa.

Quem havia feito aquilo?

 

Depois da localização do corpo, os investigadores intensificaram os depoimentos e passaram a procurar informações sobre pessoas que frequentavam a região onde ficava o imóvel.

Foi então que um nome entrou com força no caso.

Poliano Cantarelli Fernandes de Lacerda, de 35 anos.

Ele era vizinho da família.

 

Segundo o material que relata o caso, quando policiais foram até sua residência, o filho adolescente informou que Poliano havia saído cerca de dez minutos antes e pegado um táxi com destino a Mossoró.

Uma equipe policial foi alertada.

O veículo foi interceptado na entrada da cidade.

Poliano acabou preso.

 

Pouco depois, segundo a investigação relatada, confessou participação no crime.

Aquilo já seria suficiente para provocar enorme choque.

Mas os detalhes apresentados a partir daí tornariam o caso ainda mais perturbador.

 

Em uma das versões atribuídas a Poliano, Cíntia teria pedido dinheiro a ele. Como era conhecido da família, ele a teria convidado para acompanhá-lo de motocicleta até uma residência na Praia das Emanuelas, onde trabalharia realizando serviços.

Segundo essa versão, uma situação de violência teria ocorrido no imóvel.

Cíntia teria resistido.

Em seguida, perdeu os sentidos.

 

O próprio relato apresentado pelo suspeito sofreria alterações e contradições ao longo do processo.

Outro aspecto aumentou ainda mais a revolta: Poliano não era um desconhecido que apareceu repentinamente na vida da menina.

Ele morava praticamente em frente à família.

Conhecia os familiares.

 

Frequentava aquela realidade.

Depois do desaparecimento, permaneceu próximo o bastante para acompanhar a angústia das pessoas que procuravam Cíntia.

De acordo com o próprio relato atribuído a ele, voltou para casa naquela noite enquanto a família já procurava desesperadamente pela menina.

Ele teria inclusive conversado posteriormente com a mãe de Cíntia.

 

Enquanto parentes percorriam a cidade tentando encontrá-la, o homem que depois confessaria o crime continuava vivendo a poucos metros deles.

A revelação provocou indignação.

Mas o caso ainda estava longe de apresentar uma versão totalmente pacífica.

A família de Cíntia contestou diversos pontos da narrativa apresentada por Poliano.

 

Jadna, irmã da menina, negou categoricamente algumas afirmações feitas por ele sobre supostos relacionamentos amorosos com integrantes da família.

Poliano afirmaria ter mantido relações tanto com Jadna quanto com a mãe de Cíntia.

Segundo ele, conflitos relacionados a esses relacionamentos teriam contribuído para um sentimento de vingança contra a família.

Jadna disse que isso não era verdade.

 

E havia mais.

A família começou a questionar também o local exato onde o crime teria acontecido.

Segundo a versão atribuída a Poliano, ele teria levado Cíntia de motocicleta para outro imóvel.

Mas parentes apontaram elementos que, segundo eles, não combinavam com essa história.

 

Uma testemunha teria visto a menina saindo do mercadinho e dobrando a esquina em direção à residência.

Caso ela tivesse subido na motocicleta de Poliano naquele ponto, argumentava a família, alguém poderia ter percebido.

O horário também levantava dúvidas.

Cíntia saiu por volta das 19h15.

 

Às 20h, a família já estava mobilizada procurando por ela.

Parentes afirmaram que, ao passarem diante da casa de Poliano nesse período, a motocicleta dele estaria estacionada no local.

Para a família, isso poderia significar que o crime não aconteceu exatamente da maneira descrita por ele.

Surgiu então uma hipótese ainda mais inquietante.

É uma dor que não passa": Mãe de Cíntia Lívia fala sobre caso Iasmin e se  solidariza com a família | SAÚDE | Mossoró Hoje - O portal de notícias de  Mossoró

Cíntia poderia ter sido chamada quando passava em frente à residência do vizinho, e o crime poderia ter ocorrido ali.

Essa interpretação nunca deve ser confundida com uma conclusão automática: trata-se da suspeita apresentada pela família no material que relata o caso.

Outro elemento aumentou as dúvidas.

Uma vizinha teria relatado ter ouvido uma discussão intensa entre Poliano e sua esposa naquela noite.

Segundo essa versão, ele teria ordenado que ela permanecesse em silêncio.

 

A família passou a desconfiar que a mulher poderia saber alguma coisa.

Poliano negou essa acusação.

Também negou as alegações de agressões e afirmou que sua esposa havia viajado para Mossoró para buscar atendimento médico.

A divergência entre essas narrativas tornou o caso ainda mais complexo.

 

Enquanto isso, a indignação popular crescia rapidamente.

A prisão de Poliano desencadeou revolta nas ruas.

Moradores chegaram a se dirigir à casa dele. Houve tentativa de agressão contra familiares e a polícia precisou agir para proteger pessoas que estavam no local.

A esposa grávida de Poliano, o filho adolescente e outros integrantes da família precisaram ser retirados da cidade por razões de segurança.

 

No dia seguinte à localização do corpo, Cíntia foi sepultada no Cemitério São Sebastião.

A despedida reuniu um grande número de pessoas.

Tibau chorava.

Mas a dor logo se transformaria novamente em revolta.

 

Depois do sepultamento, dezenas de pessoas foram até o imóvel onde Poliano vivia. A casa foi depredada e incendiada.

Equipes policiais e bombeiros precisaram ser mobilizadas.

Era a expressão brutal da indignação de uma cidade que não conseguia compreender como uma menina de 12 anos poderia sair de casa para comprar um simples doce e terminar morta tão perto de onde vivia.

 

O processo judicial continuou.

Em 12 de maio de 2015, quase três anos depois do crime, Poliano foi levado a júri popular.

O julgamento aconteceu na Câmara Municipal de Areia Branca.

Familiares de Cíntia chegaram ao local exigindo justiça.

 

A emoção era enorme.

Durante o julgamento, Poliano apresentou novamente sua versão sobre os acontecimentos daquela noite.

Segundo o relato do processo reproduzido no material, ele afirmou que Cíntia teria ido até sua residência pedir R$ 500 a pedido da mãe.

Ele teria recusado o pedido e depois convidado a menina a acompanhá-lo até outro imóvel para conversar.

 

Ainda segundo sua narrativa, durante a conversa, informações relacionadas à mãe e à irmã de Cíntia teriam provocado sua raiva.

Ele então teria segurado a menina pelo pescoço.

Cíntia tentou reagir.

Pouco depois, estava morta.

 

O corpo foi ocultado no poço onde seria descoberto cinco dias depois.

Após o crime, Poliano declarou ter limpado o local, tomado banho, trocado de roupa e voltado para sua residência.

Como se aquela fosse uma noite normal.

Essa talvez tenha sido uma das partes mais difíceis de compreender para os familiares.

 

Enquanto eles choravam, telefonavam e caminhavam desesperadamente por Tibau procurando Cíntia, o responsável pelo crime estava nas proximidades.

Ao final do julgamento, Poliano Cantarelli Fernandes de Lacerda foi condenado a 32 anos de prisão, em regime inicialmente fechado.

Mas a história ainda teria outro capítulo capaz de provocar forte reação anos mais tarde.

 

Depois de cumprir nove anos e nove meses de prisão, em 6 de maio de 2022, a Justiça do Rio Grande do Norte concedeu ao condenado progressão para o regime semiaberto, com monitoramento eletrônico.

Segundo as informações apresentadas no material, a decisão levou em consideração o cumprimento da fração legalmente exigida da pena e a conduta carcerária registrada durante o período de prisão.

Para o sistema judicial, tratava-se da aplicação das regras de execução penal.

 

Para quem acompanhou a história de Cíntia desde 2012, porém, a simples lembrança do caso continuava dolorosa.

Mais de uma década depois, a imagem daquela menina caminhando até um mercadinho ainda simboliza o instante em que uma rotina absolutamente banal se transformou em tragédia.

Cinco dias de buscas.

Uma cidade inteira mobilizada.

 

Um corpo encontrado dentro de um poço.

Um vizinho preso.

Uma confissão.

Versões que entraram em conflito.

 

Uma família exigindo respostas.

Um julgamento marcado por revolta.

E uma condenação que jamais seria capaz de apagar o que aconteceu naquela noite.

O caso Cíntia Lívia permanece como uma das histórias que mais marcaram Tibau.

 

Não apenas pela crueldade do crime, mas pela proximidade entre vítima e autor, pela confiança existente antes do desaparecimento e pelas perguntas levantadas pelas diferentes versões apresentadas ao longo da investigação.

No centro de tudo continua existindo uma menina de apenas 12 anos.

Cíntia saiu para comprar um doce.

 

Era para ser uma caminhada de poucos minutos.

Sua família esperava vê-la atravessar novamente a porta de casa naquela mesma noite.

Isso nunca aconteceu.

E talvez seja justamente esse detalhe simples que torne essa história tão impossível de esquecer.

Disclaimer: This story is fictional and created for entertainment purposes only. Any names, characters, places, or events are fictitious or used fictitiously. No real person or organization is intended to be portrayed.

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